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Dólar tem espaço para voltar a cair, mas um fator deixa isso mais difícil de acontecer agora

Se esta queda ocorrer, analista indica que seria um ótimo momento para comprar, mas as chances neste momento são baixas de vermos este cenário

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após várias semanas de "batalha" com o mercado, o Banco Central reduziu suas intervenções e deixa agora o dólar flutuar conforme o cenário, que parece ter se estabilizado - pelo meno por enquanto - na casa de R$ 3,90. Apesar disso, analistas apontam que ainda existe a possibilidade de vermos a moeda cair um pouco, mas esta ausência do BC acaba deixando essa chance menor.

Segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o mercado agora aguarda a agitada agenda de indicadores, com ata do Fomc nesta quinta-feira e o relatório de emprego nos EUA na sexta. "Por enquanto, ainda há chances do dólar cair para R$ 3,80, o que seria um bom ponto de compra, mas a ausência do BC por 7 dias seguidos sem novas intervenções dificulta a queda para próximo deste patamar", afirma.

Desde a semana passada, o BC mudou sua estratégia de intervenção no mercado, reduzindo sua participação apenas às rolagens de swap, que ocorrem todos os dias, mas já sem impacto de reduzir o ímpeto da moeda. Por outro lado, a autoridade manteve seus "discursos" para mostrar que está de olho na oscilações. Clique aqui e confira nossa página especial de câmbio.

Mais de uma vez, o Banco Central já disse que não vê restrições para que o estoque de swaps cambiais exceda os volumes máximos atingidos no passado, além de ressaltar que vai realizar, sempre que julgar necessário, novos leilões de swap cambial e de linha, para dar liquidez e evitar uma volatilidade muito forte do câmbio Além disso, a autarquia já afirmou que realizará, sempre que necessário.

Para Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO, a autoridade está certa e deve "assistir e não intervir", já que sua atuação no câmbio não tem poder neste momento, devendo ainda "observar movimentos especulativos e/ou demanda efetiva que requeira liquidez para proteção de risco cambial ou liquidez no mercado à vista para viabilizar saída de recursos do país".

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"Entendemos claramente a ausência de intervenções do BC no mercado [...] mas, ainda assim, entendemos que devesse continuar ofertando linhas de financiamento simplesmente como atitude para influenciar a formação do preço do câmbio, já que a operação fixa a taxa cambial nas duas pontas e entre elas há o juro que também interessa a autoridade o monitoramento", conclui o analista em relatório.

 

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