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Dólar abaixo de R$ 3,00 não é sustentável para a economia brasileira, diz especialista

Mesmo que o Fed suba os juros nos EUA na próxima semana, cenário ainda é de queda para a moeda norte-americana no curto prazo

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Mesmo com todo o mercado de olho na decisão do Federal Reserve sobre uma alta de juros nos Estados Unidos, este não deve ser o grande driver para o dólar no curto prazo, que pode até perder os R$ 3,00, segundo o economista e fundador da fintech BeeTech, Fernando Pavani. Por outro lado, ele alerta que, no longo prazo, a moeda não tem como se sustentar em níveis tão baixos.

Pavani explica que o cenário atual tem sido bastante favorável para o real. No exterior, a combinação entre um bom humor do europeu e as políticas do presidente Donald Trump - que podem prejudicar os EUA e ajudar países como o Brasil -, acabam enfraquecendo a moeda norte-americana. Enquanto isso, a melhora econômica por aqui tem deixado os investidores mais otimistas, mesmo com alguns temores políticos.

O maior risco para uma alta nas próximas semanas é a reunião do Fomc no dia 15 de março. Mesmo assim, o economista afirma que uma alta de juros já está precificada e poderia apenas ter um impacto "momentâneo" na cotação, provavelmente no dia da decisão.

Segundo ele, o que poderia mudar o cenário seria uma indicação de que o Fed pretende elevar as taxas mais de 3 vezes este ano, algo que o mercado não espera. "O Fed não tem força para mudar o cenário agora", afirma. Com isso, mesmo com um estresse pontual da moeda, a tendência continuará de queda, e caso o cenário se confirme, o dólar pode perder os R$ 3,00.

Por aqui, a questão segue a aprovação da reforma da Previdência e o andamento da reforma trabalhista, sendo que ambas devem passar, mesmo que com algumas alterações. Por outro lado, há o risco da delação premiada dos executivos da Odebrecht, que, segundo Pavani, não tem mostrado força para afetar o governo, podendo, porém, afetar outros políticos e trazer um pouco de dificultado para Temer no Congresso.

Nesta combinação de fatores internos e externos, Pavani acredita que o dólar deva se manter próximo ao nível atual de R$ 3,10 em março, com alguma chance de subir até R$ 3,15 e, mesmo que por pouco tempo, cair forte para R$ 3,00. Mas isso não deve durar nos meses seguintes.

O economista explica que a indústria brasileira já tem mostrado uma reação positiva ao dólar no nível atual e que se a moeda perder os R$ 3,00, não será sustentável para a própria economia doméstica. "O real mais forte que agora vai contra a recuperação da economia brasileira", explica.

"Este é um dólar bastante competitivo para o Brasil e não vale a pena ver ele mais barato que isso. Como gestor, eu não venderia dólar abaixo de R$ 3,00 de jeito nenhum", afirma Pavani. "Inclusive, se a moeda cair tanto assim, eu recomendaria comprar muito", completa.

 

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