Enxergando exagero, banco japonês espera dólar a R$ 2,75 em 2015

Bank of Tokyo-Mitsubishi elevou a sua previsão para o dólar, mas ela ainda está bem abaixo do consenso do mercado; Selic é elevada para 13%

Publicidade

SÃO PAULO – O Bank of Tokyo-Mitsubishi elevou nesta sexta-feira (13), a sua projeção para o câmbio no fim de 2015 para R$ 2,75, contra os R$ 2,65 previstos anteriormente. Apesar disso, o número ainda está abaixo das estimativas do mercado e mesmo do patamar atual de R$ 2,85.

Para o banco, o nível atual está exagerado, embora pressões no câmbio no curto prazo possam continuar por conta da declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o Banco Central não irá manter o real artificialmente forte e preocupações acerca da capacidade do governo de atingir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano. 

A instituição financeira acredita o déficit fiscal em 2014 maior que o esperado, em 0,63% do PIB, leva a uma necessidade de um esforço fiscal ainda maior para que a meta seja alcançada. Dificuldades no Congresso também foram citadas como obstáculos no caminho do corte de gastos prometido pela esquipe econômica da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Outros drivers de alta da moeda norte-americana para o banco são: a possibilidade de racionamento este ano e cenário global adverso, com especulações de que o Federal Reserve – o banco central norte-americano – comece a aumentar as taxas de juros nos EUA, a desaceleração economia chinesa desacelera e as negociações da Grécia com a troika, que trazem o risco de que o país deixe a zona do euro.

Selic
O Bank of Tokyo-Mitsubishi também elevou a previsão da Selic de 12,5% para 13%, precificando uma elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 4 de março, e outra de 0,25 ponto percentual, em 29 de abril. 

A justificativa desta revisão para os juros foi justificada como reflexo do discurso mais “hawkish” (duro) do novo diretor do BC, Luís Awazu somados à dificuldade de atingir a meta fiscal para combater o aumento da inflação.