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Câmbio e fundos cambiais: conheça a aplicação e saiba se vale a pena investir

Para o professor do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, os fundos cambiais só são alternativa interessante para hedge

SÃO PAULO – Influenciado pelos desdobramentos da crise internacional, o dólar passou por bons e maus momentos este ano. Em setembro, a moeda norte-americana chegou a se valorizar mais de 18%, refletindo os temores dos investidores por conta do agravamento da crise, principalmente na Europa.

Com isso, a rentabilidade dos fundos cambiais deu um salto no nono mês de 2011 - de acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), esses fundos tiveram retorno médio de 17,63% no mês retrasado.

Desde o seu auge este ano (R$ 1,90 no fechamento de 22 de setembro), entretanto, a moeda já recuou quase 7% até esta quarta-feira (16) - quando terminou cotada a R$ 1,7667.

Mas este comportamento volátil do dólar não é atípico. Nos últimos anos, a divisa norte-americana registrou momentos de forte oscilação e chegou a atingir o pico de R$ 3,90 no final de outubro de 2002, durante a campanha presidencial.

E é justamente a chance de obter bons rendimentos que faz com que alguns investidores se interessem pela compra de moeda estrangeira. De acordo com enquete recente divulgada no Portal InfoMoney, 4% dos leitores possuem dúvidas e/ou se interessam por câmbio e fundos cambiais.

E você, sabe como aplicar em dólar e quais as suas principais características deste tipo de investimento?

Fundos cambiais
Em primeiro lugar, é importante lembrar que não é permitido a compra de moeda estrangeira por pessoas físicas com objetivo de investimento e acumulação de patrimônio. Quem quiser fazer este tipo de aplicação deve optar pelos fundos de investimentos cambiais.

De acordo com a definição da própria Anbima, os fundos cambiais precisam aplicar pelo menos 80% de sua carteira, via derivativos, em dólar ou euro. O restante deve ser investido em títulos e operações de Renda Fixa (pré ou pós-fixadas).

Mas, segundo o professor do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, este tipo de aplicação só é uma alternativa interessante para aqueles que precisam fazer hedge (proteção) contra alguma dívida em dólar ou pretendem viajar para o exterior e precisam se proteger de uma eventual alta da moeda.

“Para quem está com planos de viajar daqui a algum tempo, por exemplo, o fundo cambial pode ser uma alternativa contra a valorização da moeda neste período”, afirma Espírito Santo.

Já com o objetivo de acumular patrimônio e obter rentabilidade, ele não indica este tipo de aplicação, ainda mais neste momento da economia nacional. “Neste cenário macroecômico atual, não vejo espaço para que o real apresente uma grande desvalorização em relação ao dólar”, diz.

Segundo ele, o dólar deve permanecer no patamar atual no curto prazo. “Acredito no dólar nesta faixa, entre R$ 1,76 e R$ 1,78”, aponta.

De acordo com o professor, este cenário só se alteraria em caso de um agravamento da crise no velho continente. “Se a situação na Europa piorar muito e a Itália 'quebrar', é possível que tenha uma saída maior de dólares e a divisa volte a se valorizar. Mas este não é o cenário que vejo agora. Não acredito que deva haver um double dip (duplo mergulho, em referência a uma nova crise global) como a maioria dos analistas está vendo”, afirma o professor do Ibmec-RJ.

Bom momento da economia brasileira
O professor ainda ressalta que, diferente do que acontecia no final dos anos 80 e início dos anos 90, com a inflação descontrolada, a economia brasileira atravessa um bom momento, o que favorece a valorização da moeda nacional.

“Não faz sentido olhar para o investimento em dólar em um momento em que a economia nacional se sobressai no cenário global”, diz. “Perto do que esta acontecendo no mundo, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão muito melhores do que os países centrais”, completa.

Além disso, ele também afirma que o Brasil também não deve ser tão afetado pelos problemas econômicos globais. “Não consigo enxergar a crise afetando o brasil de forma importante. Pode ter algum impacto, mas nada que faça o país entrar num processo de recessão”, conclui.

 

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