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O dólar registrou uma queda de 11,7% em 2025 em relação ao real, fazendo com que a moeda brasileira fosse um dos destaques entre as divisas de mercados emergentes no ano passado, ao lado do peso colombiano. Assim, o real brasileiro reverteu grande parte da depreciação de 2024.
Conforme ressalta o Goldman Sachs, este movimento refletiu, em grande parte, uma busca por carry trade (operação formada por alocação considerando diferença de juros e câmbio de países diferentes) no mercado cambial de mercados emergentes, bem como uma diminuição do foco dos investidores nos riscos fiscais e de política monetária.
A política fiscal permaneceu frouxa nos dois países em questão – Brasil e Colômbia -, mas esses riscos são bem compreendidos pelos participantes do mercado e, em certa medida, refletidos nas curvas de juros, e ambos os bancos centrais adotaram uma postura mais agressiva.
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O Goldman aponta que, no que diz respeito à política monetária, os economistas preveem uma mudança de rumo, com o Banco Central do Brasil (BCB) reduzindo as taxas de juros e o Banco Central da Colômbia (BanRep) iniciando um ciclo de aumento das taxas.
“Embora taxas de juros reais mais altas possam compensar parcialmente os riscos cambiais na Colômbia decorrentes de um maior déficit fiscal, acreditamos que essa mudança teria implicações limitadas para os retornos à vista relativos. Isso porque as taxas de juros reais permanecem elevadas tanto no Brasil quanto na Colômbia”, avalia o banco.
A perspectiva global benigna para 2026 aponta para uma queda contínua do prêmio de risco ainda embutido nessas moedas, especialmente se houver uma mudança de rumo em direção a maior disciplina fiscal e políticas favoráveis ao mercado após as eleições (em março e maio na Colômbia e em outubro no Brasil).
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No entanto, aponta o banco, é provável que o ruído das manchetes aumente no período que antecede essas eleições e leve a uma erosão das relações carry-to-vol (métrica que avalia o retorno potencial em relação ao risco de volatilidade), o que pode fazer com que os investidores busquem retornos de carry estáveis em outros lugares (por exemplo, a volatilidade implícita do câmbio aumentou antes das últimas três eleições presidenciais).
No caso do Brasil, se o mercado achar que o resultado das eleições será menos favorável, o Goldman acredita que isso vai fazer com que o risco do real continue mais alto, em vez de causar uma queda muito maior do que o que já está previsto nos contratos futuros.
Além disso, o banco constatou que uma parte significativa da valorização do real até 2025 pode ser explicada por outros desenvolvimentos de mercado, incluindo a melhoria dos termos de troca, de modo que o real continua a ter uma reserva de valor saudável.
Em contrapartida, o banco considera que o peso colombiano se apresenta mais vulnerável no período que antecede as eleições, dada a deterioração contínua das perspectivas fiscais e o fato de ter superado seus pares típicos em relação a outros desenvolvimentos de mercado em maior medida em 2025.
