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O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, afirmou nesta quinta-feira (27) que o país viveu um “excesso de crédito” no agronegócio, o que levou à acumulação de terras em vez de investimentos, elevando o risco de inadimplência no setor.
No terceiro trimestre deste ano, a Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido contábil de R$ 3,8 bilhões, um aumento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2024 e de 50,3% em relação a setembro do ano passado.
A carteira de crédito do agronegócio estava em setembro em R$ 61,8 bilhões, um aumento de 3,7% se comparado a setembro do ano passado. Segundo Vieira, este crescimento foi expressivo nos últimos anos, o que fez o aumento da inadimplência no setor ser um “ponto de atenção” para a gestão da instituição.
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O índice de inadimplência da Caixa subiu de 2,66% em junho para 3,01% em setembro, ainda abaixo da média da concorrência, que foi de 3,79% para 4,12%, de acordo com o balanço mais recente do banco. A maior contribuição para o aumento da inadimplência veio do agronegócio, que subiu de 7,02% para 11,20% no mesmo período, com comercial em segundo lugar (8,23% para 8,95%) e imobiliário em terceiro (2,66% para 3,01%).
Com isso, o índice de provisão do agro também subiu. Foi de 6,8% em junho para 9% em setembro, com a carteira de créditos considerados mais seguros tendo recuado de R$ 55 bi para R$ 53 bilhões no mesmo período, e os mais problemáticos avançando de R$ 6 bi para R$ 8 bi.
Segundo Vieira, a provisão sobe de acordo com o risco de inadimplência do setor, mas a expectativa é de recuperação para o próximo trimestre.
Caixa será ‘dura’ com devedores
Segundo Vieira, a Caixa está mitigando a inadimplência chamando devedores para conversar sobre as causas da dívida, separando aqueles com problemas climáticos ou de safra dos que tiveram quebra de confiança na relação.
“Estamos chamando todos os nossos devedores para entender a causa da dívida, para separarmos o joio do trigo. Aqueles devedores que, de fato, tiveram problemas oriundos de quebra de safra, problemas climáticos, ou de outra natureza, que efetivamente estão empenhados numa recuperação adequada, daremos apoio por meio das renegociações. Já aqueles em que, nessa relação, houve quebra de confiança, a Caixa já começa a ser muito dura com eles”, afirma.
Ele afirma que o setor agropecuário passou por um processo de acumulação de terras e expansão de fronteiras. “O que muitas vezes era usado para um processo de investimento passou a ser de acumulação de novas terras”, explica.
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Vieira afirmou que a instituição deve estabilizar a carteira de concessões de crédito para o agronegócio e estabelecerá “novas condicionantes” com base nos aprendizados acumulados ao longo dos anos nessa relação com o setor.
“A partir do ano que vem vamos rever essas condicionantes. Então, tem toda uma estratégia adequada adotada no sentido de que a Caixa manterá a sua relação com esse segmento, mas eu acredito que a maturidade também aconteceu”, afirmou.