C&A, Renner e Riachuelo caem 4% com fim da “Taxa das Blusinhas” e salto dos DIs

O governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, mas aversão a risco do mercado intensificou movimento de queda das ações

Lara Rizério

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Riachuelo. Crédito: Divulgação
Riachuelo. Crédito: Divulgação

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As ações das empresas de varejo da Bolsa fecharam com queda forte nesta quarta-feira (13).

Os papéis chegaram a cair forte após o fim das “Taxas das Blusinhas”, que devem aumentar a concorrência no setor, apesar da visão de que as companhias estão mais preparadas operacionalmente, mas amenizaram. Contudo, voltaram a ter perdas bem expressivas com o salto dos juros futuros, que afetam particularmente as ações do setor.

As taxas dos DIs ⁠fecharam a quarta-feira com fortes altas, próximas de 30 pontos-base em alguns vencimentos, ⁠após a publicação durante a tarde de uma reportagem do Intercept Brasil sobre ligações entre o senador Flávio ‌Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

C&A (CEAB3) caiu 4,83% (R$ 10,44), Riachuelo (RIAA3) teve baixa de 4,64% (R$ 8,22) e Lojas Renner (LREN3) desvalorizou 4,02% (R$ 13,14).

Cabe destacar também que as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem ganhos nesta manhã de quarta-feira, após dados indicarem crescimento das vendas no varejo brasileiro pelo terceiro mês consecutivo, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries têm altas leves, com as atenções dos investidores voltadas para a China, o que também afeta as ações do setor.

O governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 na última terça-feira (12), revertendo a tributação implementada em 2024 e reduzindo novamente o custo das compras cross-border. Antes da tributação, os volumes importados superavam 18 milhões de encomendas mensais no Brasil, caindo para cerca de 11 milhões após a implementação do imposto e posteriormente se recuperando para a faixa de 15–17 milhões.

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O imposto federal havia sido introduzido atendendo a solicitações de grupos industriais e varejistas nacionais preocupados com a assimetria tributária em relação a produtos importados vendidos por meio de plataformas online.

Cconforme ressalta o Bradesco BBI, a flexibilização das condições de concorrência é naturalmente negativa para os varejistas locais, principalmente para aqueles mais voltados para esse segmento de preço.

As varejistas de vestuário de renda média – como é o caso da C&A, Lojas Renner e Riachuelo – devem ser as mais impactadas e enfrentar volatilidade em seus preços.

No curto prazo, os analistas do BBI acreditam que o impacto para os players locais (redução média de 1,0% na receita bruta para os varejistas de vestuário, segundo a projeção do banco) parece administrável, visto que as empresas são operacionalmente mais eficientes em comparação com 2024 e as plataformas transfronteiriças (como a Shein) parecem ter perdido força significativa nos últimos dois anos.

Além disso, o BTG Pactual também aponta que as varejistas locais como Renner, C&A e Riachuelo melhoraram fornecimento, gestão de estoques, remarcação e estrutura de preços ao longo de 2024 e 2025. Ainda assim, pesquisas proprietárias mostram que a Shein continua operando com preços inferiores aos varejistas domésticos.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.