C&A e Vivara: por que Goldman iniciou cobertura com compra após disparada em 2025

Banco também atribui classificação de compra para Azzas 2154, enquanto rebaixou recomendação do Grupo SBF para neutra

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Fachada da loja da C&A no shopping Catuai Palladium (Foto: Divulgação)
Fachada da loja da C&A no shopping Catuai Palladium (Foto: Divulgação)

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O Goldman Sachs iniciou a cobertura das varejistas C&A Modas (CEAB3), com alta acumulada de quase 100% no ano, e Vivara (VIVA3), que subiu 28,5% no mesmo período, ambas com recomendação de compra e preços-alvo de R$ 22 e R$ 33, respectivamente.

O banco também assumiu a cobertura da Azzas 2154 (AZZA3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 54, e do Grupo SBF (SBFG3), cuja recomendação foi reduzida para neutra, com preço-alvo de R$ 14.

No caso de C&A, o Goldman vê forte impulso nos lucros, sustentado por ganhos consistentes de produtividade nas lojas — resultado de iniciativas comprovadas — e pela expectativa de aceleração na abertura de novas unidades a partir de 2026, aproveitando oportunidades em shoppings brasileiros.

Viva do lucro de grandes empresas

A melhora do ambiente macro e a estabilização da concorrência com o comércio internacional também são apontadas como fatores positivos. No entanto, o banco alerta que uma possível redução de impostos de importação pode limitar esse benefício.

Vivara (VIVA3)

A recomendação de compra para a Vivara é sustentada por expectativas de melhora já no segundo trimestre de 2025, com a operação da nova fábrica plenamente integrada, apoiando as margens brutas, normalização dos preços da linha Life e melhora nos níveis de estoque.

No médio e longo prazo, o Goldman se mostra otimista com o potencial de expansão das lojas Vivara Life, acreditando que esse movimento ainda não está totalmente precificado nas ações.

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AZZA (AZZA3)

A expectativa é de inflexão nos lucros da Azzas no segundo semestre de 2025, impulsionada por margens brutas mais saudáveis, redução nas despesas relacionadas à fusão e ganhos de eficiência administrativa obtidos no primeiro semestre.

O Goldman vê espaço para ganhos contínuos de rentabilidade no próximo ano, com iniciativas como renegociação de aluguéis e contratos logísticos, criação de um centro de serviços compartilhados e integração dos sistemas de e-commerce.

O banco acredita que os riscos para as estimativas de médio prazo estão enviesados para cima, já que suas projeções assumem apenas ganhos modestos de rentabilidade a partir de 2027, sem considerar maiores sinergias ou aumento expressivo nas vendas. A execução da integração entre Arezzo e Soma pode ajudar a reduzir preocupações dos investidores e, potencialmente, gerar valorização do múltiplo.

Grupo SBF (SBFG3)

No caso do Grupo SBF, controlador das marcas Centauro e Fisia (Nike), o Goldman aponta que o momento de curto prazo deve seguir pressionado por efeitos cambiais adversos na Fisia e por novos investimentos operacionais na Centauro, que podem demorar a se refletir em aumento de vendas.

Como consequência, o banco espera pressão sobre a rentabilidade em 2025, projetando uma queda de 2,2 pontos percentuais na margem EBITDA em relação ao ano anterior. Essa perspectiva coloca as estimativas do Goldman cerca de 9% abaixo do consenso de mercado para EBITDA e lucro por ação (EPS) em 2025.

No entanto, o Goldman acredita que esses efeitos são temporários, especialmente considerando que os impactos cambiais devem se dissipar em 2026. Para esse ano, suas projeções estão praticamente em linha com o consenso. Somado a uma avaliação considerada atrativa, isso impede uma visão mais negativa sobre a ação no momento.

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De forma geral, o Goldman adota uma postura de cautela e prefere aguardar uma inflexão mais clara nos lucros antes de revisar sua posição.