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SÃO PAULO – O presidente norte-americano George W. Bush anunciou nesta terça-feira que irá sobretaxar entre 8% e 30% as importações de aço destinadas ao seu país, por um período de três anos, visando a proteção do setor siderúrgico norte-americano. Ainda assim não atendeu às exigências do setor que pedia taxas de 40% num período de quatro anos. Com o anúncio da medida, a reação mundial não deverá ser outra senão a de recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC).
Países afetados deverão recorrer à OMC
A medida deverá afetar entre outros países, os que compõem a Comunidade Européia, o Brasil, a Coréia do Sul, o Japão, a Rússia e a Ucrânia. Nos países europeus, o sentimento é de que não há outra opção senão recorrer a esta decisão, ainda que o presidente norte-americano se sinta apoiado na política de salvaguardas em que um país-membro da OMC pode impor barreiras à importação de produtos caso isto afete a indústria local. Por outro lado, México e Canadá, parceiros no Nafta (North American Free Trade Agreement) e países em desenvolvimento como Argentina, Tailândia e Turquia ficariam de fora das taxas.
Para produtores americanos, o aço importado pelos EUA é beneficiado por uma estrutura de custo altamente inferior ao que é registrado em siderúrgicas em outros países. Com isso, a cada ano o aço importado avança no país e já causou inúmeras falências no setor. Por outro lado, fabricantes que utilizam o aço como insumo, entre eles os gigantes Caterpillar e General Eletrics, faziam lobby contrário à taxação já que um aumento dos preços elevaria gastos com matéria-prima e teria dificuldades em ser repassado aos preços. Contudo, Bush está cumprindo uma promessa de sua campanha eleitoral.
Papéis de empresas brasileiras foram de destaque de queda
A resposta do mercado brasileiro foi fortemente negativa à taxação do aço importado pelos EUA porque poderá comprometer o resultado de empresas exportadoras que concentram suas vendas ao mercado norte-americano. Desta forma, o índice Setorial Infomoney para a siderurgia registrou nesta terça-feira uma retração de 2,41%, o que reduziu a alta acumulada no ano para 18,42%.
Os principais destaques de queda dentre as componentes do setor ficaram com CSN ON (-4,60%), Acesita PN (-4,06%), Usiminas PNA (-3,23%), Companhia Siderúrgica de Tubarão PN (-1,60%) e Gerdau PN (-0,19%). Esta última apresentou queda inferior, pois sofrerá menos com as restrições americanas, já que possui plantas fabris em subsidiárias norte-americanas.