Publicidade
SÃO PAULO – Envolvidos até o pescoço com a crise desencadeada por problemas no mercado imobiliário de alto risco, grandes bancos de investimentos internacionais anunciaram no início da semana medidas concretas e simbólicas para reparar, de alguma forma, os danos físicos e morais gerados pelas perdas com o subprime.
Seguindo um exemplo setorial, o Morgan Stanley informou na terça-feira (2) que vai eliminar 1% da sua força de trabalho e reduzir suas atividades hipotecárias.
Na segunda-feira, o UBS, maior banco da Europa, anunciara a demissão de 1.500 funcionários e uma reformulação na diretoria de sua divisão de investimentos.
A eleição de culpados foi bem recebida em Wall Street. Duas semanas depois de frustrar as expectativas sobre seus resultados do terceiro trimestre fiscal, as ações do Morgan Stanley subiram mais de 3% com a notícia de terça-feira. Assim como na segunda-feira, quando o setor financeiro liderou os ganhos do recorde histórico do Dow Jones.
Transparência?
“Ao eleger os culpados, você está fazendo um mea culpa que o mercado deve olhar com cuidado”, alerta o economista-chefe da Geração Futuro, Gustav Gorski.
“Há um problema de falta de transparência em fundos hedge (alavancados)”, explica Gorski, que vê no excesso de agressividade dos bancos a razão das decisões de demissão de funcionários, tanto de baixo quanto de alto escalão.
Continua depois da publicidade
Aqueles mesmos reconhecidos por descobrir oportunidades vantajosas em ativos pouco conhecidos e por garantir que as carteiras superassem seus benchmarks agora estão à procura de emprego. Para o mercado, eles representam providências sendo tomadas. Para os bancos, é uma lembrança a menos em relação aos prejuízos da crise.