Buffett elogia sucessor e aposta: Berkshire estará aqui nos próximos 100 anos

Investidor de 95 anos entrega o cargo de CEO, reforça confiança em Greg Abel e indica redução de sua exposição pública a partir de 2026

Paulo Barros

Warren Buffett conduz convenção anual de investidores da Berkshire Hathaway de 2025. (Foto: Reprodução/Conferência Anual Berkshire Hathaway)
Warren Buffett conduz convenção anual de investidores da Berkshire Hathaway de 2025. (Foto: Reprodução/Conferência Anual Berkshire Hathaway)

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Warren Buffett sai de cena da Berkshire Hathaway a partir deste ano, mas garante que deixa a companhia mais bem posicionada do que qualquer outra empresa para atravessar o próximo século, ao oficializar a passagem do cargo de CEO para Greg Abel.

“Ela tem uma chance melhor de estar aqui daqui a 100 anos do que qualquer empresa que eu consiga imaginar”, disse Buffett em trecho de entrevista concedida à CNBC divulgado nesta sexta-feira (2).

Buffett deixou oficialmente o posto de CEO no dia 1º de janeiro, encerrando uma trajetória de seis décadas à frente da companhia, período em que transformou uma fabricante de tecidos em um conglomerado avaliado em trilhões de dólares, com negócios que vão de seguradoras a ferrovias e mais de US$ 300 bilhões em caixa.

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Ele voltou a elogiar seu sucessor, o discreto Greg Abel. “Greg será quem decide”, afirmou. “Não consigo imaginar quanto mais ele consegue realizar em uma semana do que eu em um mês. Eu preferiria ter o Greg cuidando do meu dinheiro do que qualquer um dos principais consultores de investimento ou dos principais CEOs dos Estados Unidos.”

Após o anúncio da aposentadoria de Buffett, em maio, as ações da Berkshire tiveram desempenho aquém do resto do mercado, em meio a questionamentos de investidores sobre a capacidade de Abel de administrar o conjunto de empresas e a carteira de investimentos nos mesmos moldes do fundador. O chamado “prêmio Buffett” se esvaiu.

Buffett, que permanecerá como chairman do conselho, descreveu Abel como um líder pragmático e discreto, com um estilo de vida distante dos holofotes. “Ele não é um indivíduo distorcido. Quero dizer, ele gosta de jogar hóquei no gelo com os filhos”, disse. “Se os vizinhos não soubessem quem ele é, não teriam ideia de que, em 1º de janeiro, ele será quem decide sobre uma empresa que emprega perto de 400 mil pessoas e que tem planos de existir por mais 50 ou 100 anos.”

O investidor de 95 anos também sinalizou uma redução de sua presença pública. Segundo ele, não subirá ao palco na tradicional assembleia anual de acionistas da Berkshire neste ano, evento que por décadas reuniu dezenas de milhares de investidores em Omaha. “Tudo será igual”, afirmou. “Eu estarei lá. Não vou estar em cima falando na assembleia anual, mas estarei na seção dos diretores.”

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)