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SÃO PAULO – O bilionário Warren Buffett divulgou a tradicional carta anual de investimentos no último sábado. Além de seu veículo de investimentos, a Berkshire Hathaway, ter divulgado um lucro 15% maior no quarto trimestre, a US$ 6,29 bilhões, a carta trouxe importante perspectivas de investimentos do Oráculo de Omaha.
Em texto na carta anual, Buffett afirmou que ganhará a sua aposta de uma década atrás no valor de US$ 1 milhão em que defende que fundos de investimentos que cobram baixas taxas e tarifas podem superar as carteiras mais caras de hedge funds em termos de rendimento. A aposta foi feita contra a gestora de ativos Protégé Partners e a disputa termina no próxima dia 31 de dezembro.
A carteira de Buffett de um fundo de índice atrelado ao S&P500 tem se mostrado mais vantajosa do que uma carteira selecionada pela Protégé Partners. Os rendimentos da aposta irão para a caridade.
“Ao longo dos anos, é frequente que eu seja questionado sobre conselhos de investimento, e no processo aprendi bastante sobre o comportamento humano. A minha recomendação mais comum tem sido a de ter um fundo de baixo custo do índice S&P 500. O investidor diz ainda “que os meus amigos que têm apenas meios modestos têm, geralmente, seguido a minha sugestão”.
Contudo, de acordo com ele, o comportamento dos investidores que têm mais poder de fogo é diferente. “Acredito, no entanto, que nenhum dos indivíduos mega-ricos, institucionais ou fundos de pensões tenha seguido o mesmo conselho. Em vez disso, estes investidores me agradecem polidamente pelas minhas perspectivas e partem para ouvir o canto da sereia de gestores com elevadas comissões e, no caso de muitos institucionais, procuram outro tipo de ajudante chamado consultor”.
Para o Oráculo de Omaha, isso se deve à natureza humana: “os ricos se acostumaram a sentir que têm de ter a melhor comida, educação, entretenimento, imobiliário, cirurgias plásticas, bilhetes para eventos desportivos. O seu dinheiro, sentem, deve comprar algo superior ao comparado com o que é disponibilizado para as massas”.
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Nesse cenário, Buffett lançou o desafio aos gestores de hedge fund, mas somente Ted Seides, da Protégé, aceitou, em 2008. Seides escolheu cinco fundos que investem em “hedge funds” para tentar bater o S&P 500. Buffett ressalta que, nos primeiros nove anos da aposta, “os cinco fundos de fundos renderam em média, até 2016, uma taxa composta anual de apenas 2,2%. Isso significa que por cada US$ 1 milhão investidos nestes fundos teria um ganho de US$ 220 mil. O fundo de índice, por seu lado, teria ganho US$ 854 mil”.
Buffett ainda aponta que, ao mesmo tempo que têm resultados abaixo do mercado, os gestores de “hedge funds” recebem generosas comissões. “Ou como Gordon Gekko poderia dizer: ‘as comissões nunca dormem’”. Quando bilhões de dólares são geridos por Wall Streeters que cobram comissões elevadas, geralmente são os gestores a colher os lucros, não os clientes. Tanto os grandes como os pequenos investidores devem ficar com fundos de índice com baixas comissões”, conclui o Oráculo de Omaha.
Buffett, que apoiou a candidatura de Hillary Clinton no ano passado para a presidência dos EUA e é um democrata de longa data, não falou diretamente sobre o presidente Donald Trump, mas apresentou uma crítica velada, principalmente ao tratar da questão migratória. Ele atribuiu o crescimento “milagroso” dos Estados Unidos “à engenhosidade humana, a um sistema de mercado, a uma maré de imigrantes talentosos e ambiciosos e ao Estado de Direito”.