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SÃO PAULO – A estabilidade macroeconômica brasileira e o desenvolvido mercado de capitais foram os principais fatores que contribuíram para que o Brasil saísse bem posicionado da crise de 2008. Esta é a opinião de Eduardo Loyo, economista-chefe do BTG Pactual.
Em palestra durante o Brasil Investment Summit, em São Paulo, nesta terça-feira (27), Loyo enfatizou que as condições econômicas atuais brasileiras e sua rápida recuperação só são possíveis porque desde o início da década o país passa por um processo de estabilidade monetária, controle inflacionário e regulação fiscal, instrumentos estes que nunca antes o país possuiu.
“O Brasil está no jogo novamente praticamente no mesmo lugar onde estava antes da crise. Isso se deve não só aos resultados da estabilidade macroeconômica em si, mas também pelo desenvolvimento de um mercado de capitais”, afirma o economista.
Loyo explica que o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro nos últimos anos foi “maravilhoso’, em sua palavra, e que isso permitiu dois movimentos importantes ao crescimento do país.
“Ele disponibilizou recursos financeiros para os que quiseram fazer investimentos em seus negócios, ao mesmo tempo em que mudou radicalmente a cultura de governança corporativa das empresas brasileiras, permitindo, assim, iniciativas empresariais audaciosas”, fala.
Além disso, o economista-chefe do BTG Pactual lembra que a própria estrutura e especialização dos setores brasileiros se tornou mais clara e dinâmica, muito diferente do que se via no mercado de capitais na década de 1990.
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Contudo, para Eduardo Loyo, esses dois movimentos – estabilidade macroeconômica e mercado de capitais consolidado – não foram importantes apenas para a superação da turbulência econômico-financeira mundial. Ele acredita que eles também são os principais motivadores da atual conjuntura favorável em que o país vive, onde se espera chegar a uma taxa de crescimento de 6% este ano.
“Pensando em qual será o próximo capítulo da história brasileira, eu digo que veremos mais a continuação do capítulo em que estamos agora. O Brasil é o país do presente e temos que continuar dando passos na mesma direção, colhendo os benefícios do que plantamos. O passo a passo é melhor que um big bang”, acredita.
Investimentos
Loyo lembra, porém, que essa extensão do que vivemos hoje em termos econômicos precisa continuar melhorando sua estrutura do mercado de capitais e arranjar meios de financiar todos os investimentos necessários para sustentar as perspectivas de crescimento.
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“Como a economia vai lidar com a necessidade de mais investimentos? Como esse investimento vai ser financiado? Há espaço para aumentar a poupança doméstica, mas as limitações indicam que este não é o melhor caminho”, destaca.
Como exemplo de limitações, Loyo fala do fator demográfico que, no quadro brasileiro, vem apresentando uma diminuição no ritmo de crescimento, dificultando o pleno desenvolvimento da poupança doméstica no futuro.
Além disso, ele comenta que as poupanças corporativas, baseadas em lucro das empresas, também apresentam suas limitações, sendo, então, necessária a busca por investidores externos.
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“Atrair investidores estrangeiros para preencher essa lacuna de investimentos é possível com um ambiente de negócios amigável e atraente”, diz.
Outro fator que para ele é importante para fortalecer sua imagem como país sólido economicamente perante o mercado internacional são suas reservas em moeda estrangeira. A política adotada pelo Banco Central em 2004 para acumular contas em dólar é positiva, segundo Loyo do BTG.
“As reservas são uma segurança para o Brasil nos momentos e que há escassez de investimentos, crédito e funciona como uma ponte para o investidor estrangeiro entrar em um segundo momento. Assim, não é preciso encolher o capital”, conclui.