Após balanços...

BTG mantém cautela com bancos: “aversão ao risco pode ser vista agora em todo lugar”

Depois da divulgação dos resultados, as condições pioraram para empréstimos no segmento imobiliário e para os consumidores no segundo trimestre, destacando relatório do Banco Central sobre as atuais condições de crédito no Brasil

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SÃO PAULO – Após a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2015, o BTG Pactual destacou manter cautela para os bancos, e ressaltou que a aversão ao risco agora pode ser vista por toda a parte.

Depois da divulgação dos resultados, a percepção é de que as condições pioraram para empréstimos no segmento imobiliário e para os consumidores no segundo trimestre, destacando relatório do Banco Central sobre as atuais condições de crédito no Brasil. 

Segundo aponta o BC, as condições de crédito no primeiro trimestre foram de fato mais fracas do que o esperado anteriormente e as perspectivas para o segundo trimestre de 2015 se deterioraram ainda mais. 

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Além da procura de crédito menor, houve menor oferta e menor aprovação de crédito. Em termos de “aprovações” para empresas os dados reais do primeiro trimestre foram mais fracos do que o esperado o que, segundo o BTG, podem ser reflexos da Operação Lava Jato e o fato de que várias empresas entraram com pedido de recuperação judicial.

Os analistas ainda destacam que, ao contrário do setor bancário, setores como o da construção pesada e petróleo e gás, por exemplo, não tem um regulador claro como o Banco Central. “Assim, em momentos de problemas, tal como agora, é importante ter algum tipo de coordenação para restaurar a confiança, para que os bancos se sintam confortáveis em emprestar a esses segmentos novamente. No fim do dia, ninguém sabe o que vai acontecer com as empresas envolvidas na Operação Lava Jato: elas receberão penalidades? Qual é o tamanho da pena? Será que elas vão ser capazes de manter a gestão dos projetos em curso”?

E as expectativas se deterioraram ainda mais no segundo trimestre, mas não apenas para as pequenas e médias empresas, mas também para hipotecas e empréstimos ao consumidor. 

Com Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) (boa proxy para bancos privados) reduzindo sua expectativas para o crescimento do PIB para em 2015 entre queda de 1% e queda de 1,5% , os analistas do BTG não veem os empréstimos crescendo mais do que 5% a 6% neste ano, enquanto os de bancos estatais devem desacelerar para menos de 10% antes do final do ano.

Neste cenário, o BTG mantém cautela para os bancos brasileiros, com recomendação de compra apenas para o Itaú e, dentre o segmento financeiro, coloca Cielo (CIEL3) e BB Seguridade (BBSE3) como as top picks no Brasil.