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SÃO PAULO – Além de reiterar sua recomendação de compra para os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras (PETR3, PETR4), o BTG Pactual também revisou suas estimativas para os exercícios de 2011 e de 2012 da companhia, incorporando os resultados e as reservas do ano passado e a nova curva de projeção para o preço do petróleo Brent em 2011, que agora encontra-se mais em linha com o consenso do mercado, sendo elevado para US$ 80 para US$ 105 por barril.
Dessa forma, os analistas Gustavo Gattass, Rafael Fonseca e Luiz Felipe Carvalho, que assinam o relatório do banco, elevaram as estimativas de lucro em 24% para 2011 e 22% para 2012, ficando atualmente em US$ 24,819 bilhões (ou US$ 3,81 por ADR) e em US$ 22,002 bilhões (ou US$ 3,37 por ADR), respectivamente, ressaltando que esses números não incorporam nenhum aumento nos preços da gasolina comercializada no mercado brasileiro.
Um dos principais entraves para o desempenho dos papéis, o repasse da forte alta do petróleo no mercado internacional para os produtos lastreados na commodity comercializados no mercado brasileiro continua sendo motivo de muita discussão. Embora o repasse seja extremamente benéfico para o desempenho operacional da Petrobras, o governo – principal acionista da empresa – não vê o ajuste com bons olhos, já que ele pode agravar ainda mais a já preocupante alta dos índices de inflação da economia interna.
Exposto ou não ao preço do petróleo?
Para Gattass, Fonseca e Carvalho, esse dilema tem mantido os investidores mais cautelosos com a companhia, optando por petrolíferas que demonstram maior exposição ao recente rali da commodity no mercado internacional – fato que tem contribuído para que os ativos da Petrobras apresentem a pior performance frente aos seus pares dos mercados emergentes em 2011. No entanto, eles rechaçam essa interpretação do mercado, afirmando que a estatal brasileira possui mais exposição que a média do setor.
“Acreditamos que esse nosso call está fora do consenso do mercado e que a apreensão dos investidores ao impacto do controle dos preços da gasolina no mercado brasileiro está exagerada”, escrevem os analistas em relatório emitido aos clientes na última terça-feira (3). Embora ressaltem que o aumento nos preços no Brasil impactaria positivamente o resultado da empresa, eles esperam ver já nos resultados do primeiro trimestre um efeito benéfico provocado pela alta do barril de petróleo lá fora.
Contudo, caso esses preços venham a ser reajustados no mercado brasileiro, Gattas, Fonseca e Carvalho esperam ver um aumento adicional de até 20% para os lucros da empresa em 2012.