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SÃO PAULO – Após encontro com líderes corporativos da América Latina e investidores internacionais, em Nova York, o BTG Pactual percebe que o clima continua de ceticismo com o mercado de ações brasileiro, devido às recentes medidas de intervenção promovidas pelo governo em setores de destaque da economia, como energia elétrica e financeiro. A instituição acrescenta que os estrangeiros também se mostram cautelosos com relação ao crescimento do Brasil e aos retornos que as empresas devem gerar.
O BTG pondera, no entanto, que há boas oportunidades para garimpar na bolsa, em diversos setores. A conclusão tirada após a conferência realizada com 133 diretores de empresas latino-americanas – sendo 95 de companhias brasileiras – e 584 investidores é que as ações atreladas à economia interna continuarão a se sobressair em relação às ligadas ao cenário externo. O setor de varejo e educação foram os melhores avaliados na reunião, mas a ação da Brasil Foods (BRFS3) foi uma das melhores bem-vistas para se ter em portfólio.
Entre os destaques, o setor de consumo se mostrou como um dos preferidos dos participantes, que acreditam que os resultados deste trimestre apresentarão melhores performances. Os representantes das empresas mostraram confiança de que as margens dos Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) devem continuar a melhorar, enquanto as receitas também devem mostrar crescimento “decente”.
Sobre os setores balizados por commodities, o banco acredita que o sentimento sobre o setor ainda é fraco, mas que os estrangeiros ainda estão receosos, mas que veem oportunidades em ações descontadas ou nas que sinalizam ganhos. Há algumas boas oportunidades, como a Klabin (KLBN4), cujo CEO (Chief Executive Officer) continua bastante otimista em relação ao cenário.
Outros destaques
De acordo com o BTG, o setor de transporte parece interessante, mas não há nenhuma empresa que esteja atrativa no momento, embora a CCR (CCRO3) e a Embraer (EMBR3) chamem a atenção. No setor de tecnologia e telecomunicações, o destaques ficam com a Valid (VLID3) por ser voltada para a economia interna e por estar em um setor livre de regulação. A Totvs (TOTS3) tem o mesmo perfil, mas o valuation não está tão interessante, destaca o banco.
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| Setor | Top picks | Comentários |
| Varejo | Lojas Americanas (LAME4), Brazil Pharma (BPHA3) Pão de Açúcar (PCAR4) |
Em geral, esperamos maior crescimento nas receitas e nas margens, mas pressão no fluxo de caixa do enorme capital investido – sem mencionar o prêmio já embutido no valuation. |
| Educação | – | O sentimento positivo com o setor de educação foi destacado em nossa conferência, com todos os players que atuam no nível superior continuando a fazer referências ao excelente processo de admissão no 2º semestre, sólidos resultados no 1º semestre de 2013 e, assim, alavancagem operacional mais forte em 2013. |
| Alimentos | Brasil Foods (BRFS3) |
A conferência confirmou nossa suspeita: BR Foods é a principal ação para se manter em carteira aos olhos dos investidores estrangeiros. |
| Transporte | CCR (CCRO3), Embraer (EMBR3) |
Em geral, estamos otimistas com o momentum dos ganhos nos setores de transporte/infraestrutura/indústria e esperamos um crescimento do PIB mais forte, o que guiará o crescimento mais robusto dos ganhos por ações nos próximos 12 meses. Mas nós alertamos os investidores a serem mais seletivos em cada setor, já que essa recuperação já está em parte precificado nos valuations atuais. |
| Energia & Saneamento | Sabesp (SBSP3), Cemig (CMIG4) |
O sentimento com as utilities permanece negativo, com os investidores ainda cautelosos mesmo após o recente sell-off (pressão vendedora), com os investidores ainda em modo “espere pra ver” frente da decisão final da MP (Medida Provisória). |
| Financeiras | – | Em geral, os investidores estrangeiros não enxergam de forma otimista os bancos brasileiros, expressando um viés baixista com o setor após as medidas recentes anunciadas pelo governo (redução dos spreads, das taxas de cartão de crédito e das taxas de cheque especial) |
| Saúde | – | Apesar do momentum positivo gerado com o deal entre UnitedHealth e Amil (AMIL3), os fundamentos do setor permanecem fracos. As receitas devem continuar desacelerando (especialmente para Fleury (FLRY3) e OdontoPrev (ODPV3) e a maior inflação para os produtos médicos deve pressionar os custos em geral. |
| Imobiliário | EzTec (EZTC3), Helbor (HBOR3), Even (EVEN3), BR Malls (BRML3), BR Properties (BRPR3), São Carlos (SCAR3), Aliansce (ALSC3) |
Os estrangeiros estão preferindo players mais defensivos como é o caso de shopping centers e “commercial properties”, que combinam maior resiliência nos negócios com fluxo de caixa e lucros previsíveis. Os investidores enxergam bastante espaço para crescimento no setor (através de greenfields e expansões) e também aquisições (crescimento inorgânico). |
| Telecomunicações e tecnologia | Valid (VLID3) | Pressão regulatório tem levado os estrangeiros a evitarem o setor, enquanto a competitividade pressiona os seus resultados. E os investidores não esperam que as coisas fiquem melhores em breve. |
| Commodities não-petrolíferas | Klabin (KLBN4), Suzano (SUZB5), Gerdau (GGBR4) |
O sentimento em relação ao setor permanece fraco, mas os investidores em geral acreditam que o pior ficou para trás. O BTG enxerga atratividade em empresas descontadas or aquelas com tendência positiva nos lucros. |