BTG aumenta exposição a bancos e commodities em carteira de ações deste mês

PDG Realty, Cosan, Kroton, Usiminas e Itaú Unibanco são as novidades do portfólio de ações recomendado para janeiro

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SÃO PAULO – O BTG Pactual mexeu em cinco das dez ações de sua carteira recomendada mensal – a 10 SIM (Stock Ideas for the Month) – de modo a elevar, neste mês de janeiro, a exposição ao setor de commodities – passando de 50% para 60% – e também entre os bancos, sua atual preferência entre os nomes domésticos.

Quanto ao Ibovespa, os analistas acreditam que o índice se recuperará dos últimos dois meses, quando sentiu o peso de todo o desenrolar da crise fiscal na Irlanda (em novembro) e dos temores em torno das pressões inflacionárias no Brasil (em dezembro). Os analistas Carlos Sequeira, Bernardo Miranda e Antonio Junqueira colocam que, no momento, as preocupações com a Irlanda arrefeceram (embora o problema esteja longe de uma solução) e que o último relatório de inflação do Banco Central brasileiro deixou claro que o ciclo de elevação da Selic deve mesmo começar em 19 de janeiro.

Com estas dúvidas do mercado saindo de cena, os analistas acreditam que o Ibovespa pode encontrar espaço para uma recuperação neste mês. 

Commodities
“Nós mantemos nossa aposta que todo o dinheiro barato que está sendo jogado na economia global eventualmente produzirá alguma inflação, com ações relacionadas às commodities potencialmente se beneficiando deste movimento”, apontam. Neste contexto, o BTG Pactual aponta que o minério de ferro é a commodity preferida. “A demanda em 2011 deverá permanecer forte, enquanto não terá nenhum fornecimento extra sendo jogado no mercado, o que proverá melhor suporte para os preços. Vale é o melhor veículo para atuar neste cenário, em nossa visão”, indicam. As ações VALE3 são as de maior peso na carteira recomendada do banco de investimentos, com 20%.

 10 ideias de ações para janeiro
Empresa Ação Peso
OGX OGXP3 5%
Petrobras PETR3 15%
TIM TCSL4 5%
Vale VALE3 20%
PDG Realty PDGR3

10%

Cosan CSAN3 10%
Kroton KROT11 5%
Usiminas USIM5 10%
Banco do Brasil BBAS3 10%
Itaú Unibanco ITUB4 10%

Outra gigante do setor, a Petrobras, é uma das top picks dos analistas para 2011, uma vez que a performance dos papéis em 2010 foi fraca. Contudo, para elevar sua exposição às produtoras de commodities neste mês de janeiro, o BTG Pactual reduziu a participação de PETR3 no portfólio de 20% para 15% e excluiu as ações da Klabin (por conta de sua forte performance em dezembro), adicionando, para compensar estes movimentos, as ações de Usiminas e Cosan, cada uma com peso de 10%.

Sequeira, Miranda e Junqueira observam que os preços do aço estão em alta na cena internacional por conta da elevação dos insumos e também por conta da estocagem do material. Com isso, as empresas deste setor podem ganhar momentum, em conjunto ao aquecimento da demanda doméstica e queda das importações brasileiras de aço. A preferência por Usiminas se deu por sua maior alavancagem operacional e também devido à fraca performance da ação frente não só ao Ibovespa, mas também a seus pares.

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No caso da Cosan, a justificativa pela inclusão na carteira 10 SIM vem da expectativa de que os preços do açucar sigam em alta e também da aposta de que as autoridades europeias venham a aprovar a joint venture com a Shell no Brasil. O BTG diz em seu relatório que os investidores ainda não deram conta do real potencial desta joint venture e de seu impacto  na estrutura e no valuation da Cosan.  

A OGX, mantida na lista de ações sugeridas pelo BTG, com peso de 5%, completa as apostas do banco entre as commodities. Com o desapontamento do mercado com o processo de farm-out (processo de venda parcial ou total dos direitos de concessão detidos), estes papéis tiveram fraca performance nos últimos meses, mas o trio de analistas ainda acredita na conclusão desta operação em algum momento, o que “definitivamente” seria um trigger para as ações. O relativo silêncio no que diz respeito ao anúncio de novas descobertas também desperta o interesse dos analistas.

Bancos
A maior aposta do BTG Pactual entre os nomes domésticos está no setor bancário, e para aumentar sua exposição a estas ações o banco de investimentos incluiu as ações do Itaú Unibanco no lugar que antes era ocupado pela Copel.

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 Na análise de Sequeira, Miranda e Junqueira, o último Relatório de Inflação do Banco Central deixou claro que o ciclo de altas da Selic deve ter início já no encontro do Copom em janeiro, afastando os temores de que a autoridade monetária poderia utilizar o aumento dos requerimentos de reservas como instrumento de combate à inflação – o que seria, na opinião do banco, certamente uma má notícia para os bancos.

Com a manutenção das ações do BB no portfólio, a exposição aos bancos passa assim a 20%.

PDG e Kroton
A exposição ao setor imobiliário ficou mantida em 10%, mas o BTG promoveu em janeiro a troca das ações da Cyrela e da BR Properties, que em dezembro tinham 5% de participação cada no 10 SIM, pelos ativos da PDG Realty, que ingressa na carteira recomendada com peso de 10%. “Nossa preferência por PDG é baseada em forte números operacionais à frente”. “A PDG teve uma performance ligeiramente pior que o índice IMOB nos últimos dois meses, o que faz da ação ainda mais atrativa em relação a outras construturas”, completam os analistas.

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Por fim, completando as apostas do BTG entre os nomes voltados à economia doméstica, os papéis da TIM foram retirados para a inclusão dos da Kroton. “Nós vemos a Kroton como o player mais atrativo no setor educacional, o qual nós acreditamos ser bastante promissor nos próximos anos”, escreve o trio de analistas.