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O Citi rebaixou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) de neutra para venda, com classificação de alto risco, diante de um cenário mais desafiador para a companhia tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro. O banco também cortou de forma expressiva o preço-alvo, de R$ 11,50 para R$ 4,50 por ação, ou 61%, refletindo a deterioração das perspectivas. As ações da petroquímica têm novo dia de queda, com baixa de 7,04%, a R$ 6,34, às 11h23 (horário de Brasília); na véspera, BRKM5 caiu 10,50%.
Segundo o relatório, a tese anterior — baseada na recuperação cíclica do setor petroquímico e em uma eventual definição sobre o controle acionário — perdeu força à medida que o ambiente de curto prazo se tornou mais adverso. A combinação de margens pressionadas, elevada alavancagem e incertezas estruturais levou a uma piora relevante na relação risco-retorno do papel.
Um dos principais pontos de atenção é a geração de caixa da companhia. O Citi destaca que a Braskem deve enfrentar fluxo de caixa livre negativo nos próximos períodos, impactado pela compressão dos spreads petroquímicos e pelo aumento das necessidades de capital de giro.
Esse cenário tende a pressionar ainda mais o balanço, já fragilizado por níveis elevados de endividamento. Além disso, a estrutura de capital apresenta vencimentos concentrados em um horizonte relativamente próximo, o que eleva o risco de refinanciamento em um ambiente de acesso restrito a crédito.
Na avaliação do banco, esse conjunto de fatores aumenta o risco de um “aperto de liquidez”, o que pode levar a empresa a buscar soluções mais estruturais para sua dívida.
Reestruturação entra no radar
Diante desse quadro, o Citi ressalta que uma eventual reestruturação judicial já não pode ser descartada. A própria companhia anunciou o início de um processo de mediação com credores financeiros e pediu uma medida cautelar para garantir um ambiente estável de negociação.
O objetivo, segundo a Braskem, é buscar uma solução consensual e ordenada para sua estrutura de capital, alinhando suas obrigações financeiras à realidade atual da empresa e às condições do setor petroquímico global.
Para o Citi, a necessidade de uma renegociação ampla — e até mesmo uma eventual injeção de capital — adiciona incerteza relevante para os acionistas, especialmente diante da falta de clareza sobre os próximos passos de seus principais controladores, como a Petrobras.
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Ambiente operacional desafiador
No front operacional, o banco também vê dificuldades. Os spreads petroquímicos seguem sob pressão, impactados por demanda mais fraca em mercados importantes, como Europa e Estados Unidos, além da volatilidade cambial.
Ao mesmo tempo, o custo de matérias-primas, em especial a nafta, continua elevado, enquanto a utilização da capacidade instalada permanece abaixo do potencial — o que limita a recuperação das margens no curto prazo.
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Embora a companhia ainda possa reportar um resultado mais forte no segundo trimestre, impulsionado por um momento pontual de alta nos preços petroquímicos, o Citi avalia que isso não será suficiente para reverter o quadro estrutural mais desafiador.
Outro fator de peso na análise é o risco associado ao evento geológico em Alagoas, relacionado à subsidência do solo em áreas próximas a operações da companhia.
O Citi destaca que as obrigações financeiras ligadas a esse episódio continuam gerando desembolsos recorrentes, pressionando o fluxo de caixa. Além disso, a incerteza jurídica associada ao caso representa um risco adicional relevante, classificado como “tail risk” no relatório.
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Desta forma, com a combinação de fundamentos deteriorados, incerteza sobre a estrutura de capital e riscos jurídicos relevantes, o banco conclui que o nível atual de preço das ações não compensa o risco elevado.
A revisão das estimativas também reflete uma expectativa de menor volume de vendas à frente, diante das restrições de capital de giro e da necessidade de preservar liquidez.
