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Economia

BRICS podem se fragmentar em breve, de acordo com Financial Times

Segundo coluna do ex-vice-ministro das finanças do México, diferenças políticas se evidenciam, avaliando que fazer parte dos BRICS não é tão legal quanto antes

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SÃO PAULO – Não são somente as perspectivas econômicas mais negativas que afetam a unidade e a magia do mercado com relação aos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e a África do Sul).

Além das diferenças econômicas, as diferenças políticas também atuam de forma bastante ativa para que o grupo, criado em 2001 por Jim O’Neill, tenha perdido o encanto e possa se fragmentar em breve,  de acordo com o ex-vice-ministro das finanças do México, Gerardo Rodriguez, em coluna para o blog do Financial Times, Beyond BRICS. “O desmembramento dos BRICS como grupo político pode ser um acidente esperando para ocorrer”, avalia. 

Rodriguez ressalta que, quando O’Neill criou o termo, a intenção principal era ressaltar aspectos para a melhoria financeira e global, propondo um espaço na mesa de negociações para as principais economias emergentes, que tinham até então pouca voz no cenário internacional. Desta forma, O’Neill colocou os emergentes em destaque para muitos investidores que, até o momento, não tinham notado o crescente poder e importância política destes países.

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Conceito BRICS é cheio de defeitos, aponta Rodriguez
O ponto principal era a China, avalia Rodriguez, mas eram necessários mais países para fazer uma melhor venda de seu conceito. “Contudo, verifica-se que a seleção do grupo BRICS foi um acidente de tamanho, dados demográficos e, o mais importante, de palavras”, avalia.

De acordo com ele, o apelo do conceito dos BRICS contrasta com as profundas diferenças políticas e econômicas entre seus países-membros, uma vez que os conflitos e a falta de ajuda mútua dentro do próprio grupo mostram que ele ainda sofre para melhorar a sua governança global. 

Segundo ele, foi um acidente que estes países – retirando a China, que tem realmente um peso extremamente relevante no cenário internacional – tenham sido lançados a uma posição mais forte apenas pelo fato de que a ideia dos BRICS é interessante. Estas nações se mostraram bastante ágeis em aproveitar a oportunidade política e, mais ainda, de tirar partido da “aura do presidente Lula” para elevar o teor político do grupo, transformando o grupo em um fórum de líderes. 

Contudo, o grupo não tem sido capaz de operar como um bloco sólido em decisões relevantes, incluindo questões básicas como o apoio ao mesmo candidato nas corridas para os cargos na OMC (Organização Mundial do Comércio), no FMI (Fundo Monetário Internacional) ou no Banco Mundial.

No mesmo sentido, o anúncio de um novo banco de desenvolvimento em infraestrutura e projetos de desenvolvimento sustentável em Nova Délhi foi recebido com ceticismo por diversas instituições financeiras oficiais. “Ser incapaz de entregar só reforça a percepção de que o grupo carece de substância”, aponta Rodriguez.

Outros grupos se destacam
Desta forma, as perspectivas de crescimento econômico mais lento para o Brasil, China e Índia já geraram indicações de qual será o próximo grupo de países a se destacar. O Bank of America Merrill Lynch, por exemplo, indicou o KOMETS (Coreia do Sul, México e Turquia) como os próximos a terem um desempenho econômico bem acima da média do mundo. 

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A crise deixou os BRICS com taxas de crescimento potencial baixas, o que indica que os países não aproveitaram o impulso gerado para avançar com as reformas estruturais de modo a aumentar a produtividade. Segundo Rodriguez, o uso continuado de política fiscal e monetária para estimular o crescimento terá apenas efeitos no curto prazo, podendo deixar alguns países vulneráveis aos riscos. 

“Desta forma, fazer parte dos Brics pode não ser algo tão legal quanto antes”, afirma Rodriguez, ressaltando que as diferenças política e econômica entre os países pertencentes ao grupo se tornarão mais evidentes a cada dia. Em última análise, aponta, não há nenhuma sigla ou marketing político que possa substituir uma política econômica sólida e consistente, de forma que os países emergentes alcancem níveis mais elevados de desenvolvimento. 

Para ele, é do interesse de todos os integrantes do BRICS ver suas economias fortes e saudáveis e talvez fosse mais eficaz que o grupo assuma o o papel de liderança global, com todas as responsabilidades que isso implica.