Destaques da Bolsa

BRF dispara 6% com rumor de interesse da Tyson Foods; Braskem cai 14% em 4 dias

Confira os destaques da Bovespa nesta terça-feira (10)

Vale (VALE3, R$ 15,36, +0,85%;VALE5, R$ 12,59, +1,94%)
As ações da Vale apontam para recuperação após a forte queda da véspera, que repercutiu a queda do minério de ferro e as preocupações com a economia chinesa. Acompanham o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 7,20, +1,98%) – holding que detém participação na mineradora. Nesta sessão, a commodity negociada em Qingdao teve alta de 0,49%, a US$ 55,26 a tonelada métrica.

No radar da Vale, de acordo com informações da Folha de S. Paulo, o escolhido para comandar o Ministério do Planejamento do eventual governo Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) quer levar a mineradora para sua área de influência e participar da escolha do próximo presidente da companhia.  Embora seja privada, a Vale sofre forte influência dos fundos de pensão estatais Previ, Funcef e Petros, que estão no bloco de controle da empresa. Procurado pelo jornal, o atual CEO da empresa, Murilo Ferreira, não quis comentar, assim como Jucá. 

Por fim, a companhia informou que as negociações com a Hydro chegaram ao fim sem um acordo para venda de sua participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), produtora de bauxita no Brasil, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. A Vale afirmou que as duas empresas elaboraram uma carta de intenção em outubro de 2015 para uma possível transação, “mas não conseguiram concordar com os termos comerciais”.

As siderúrgicas também registram ganhos, caso de Usiminas (USIM5, R$ 2,22, +4,72%), CSN (CSNA3, R$ 10,21, +1,91%) e Gerdau (GGBR4, R$ 7,05, +2,17%) sobem forte. 

Petrobras (PETR3, R$ 12,45, +3,15%;PETR4, R$ 9,79, +3,27%)
As ações da Petrobras voltam a subir a forte queda da véspera: a última segunda-feira foi de apreensão com a notícia de que o presidente interino da Câmara dos Deputados Waldir Maranhão (PP-MA) anulou o processo de impeachment de Dilma Rousseff na Casa. Mais tarde, o presidente do Senado Renan Calheiros decidiu rejeitar a decisão de Maranhão e manter o cronograma do impeachment, cuja votação começará amanhã. As ações da estatal também registram alta na esteira do petróleo; o brent sobe 3,14%, a US$ 45,00 o barril, com receio de oferta da Nigéria, 2º maior produtor africano, ser interrompida por questões de segurança.

Bancos
Os bancos registram ganhos seguindo o dia de euforia da Bolsa brasileira com a continuidade do cronograma do impeachment no Senado. Além disso, destaque para relatório do BTG sobre as condições de crédito das instituições financeiras, destacando que os números foram mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre, mas há alguns sinais de leve recuperação no primeiro trimestre de 2016. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,76, +3,82%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,93, +3,36%) e Bradesco (BBDC4, R$ 26,34, +3,17%) sobem mais de 3%. 

BRF (BRFS3, R$ 48,84, +6,36%)
As ações da BRF sobem forte em meio às notícias de que a companhia pode estar no plano de expansão da Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, no Brasil. De acordo com o Valor Econômico, a Tyson Foods poderia estar por trás da decisão da BRF de aumentar o limite do poison pill – cláusula de proteção de dispersão acionária – de 20% para 33%.

“O que levantou esta questão foi o fato de executivos da Tyson terem vindo para o Brasil para visitar algumas plantas da BRF. Caso isso ocorra, seria perfeito geograficamente, tornando a empresa mais forte para competir com a JBS. Poderia também ser uma saída para os fundos de pensão (Previ e Petros) e a possibilidade da Tarpon adicionar expertise com executivos que conhecem muito do negócio, melhorando assim a execução (principal risco do case na nossa opinião)”, destaca o BTG Pactual. 

Braskem (BRKM5, R$ 21,09, -2,27%)
As ações da Braskem afundam pelo quarto pregão seguido, acumulando desvalorização de 14% após o governo ter anunciado na sexta-feira que vai reduzir o benefício do PIS/COFINS para o setor petroquímico começando em 2017. Atualmente, o benefício é de 6,25% em 2016; 4,25% em 2017; e 3,65% a partir de 2018. A nova proposta será de 3,12% em 2017 e 2018; 2,13% em 2019 e 2020; e 1,13% a partir de 2021, levando a taxa efetiva para 8,12% na perpetuidade. Por conta da notícia, o BTG Pactual ajustou ontem o preço-alvo das ações da Braskem, passando de R$ 28,00 para R$ 24,00. A recomendação seguiu neutra. 

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BB Seguridade (BBSE3, R$ 27,40, -0,90%)
As ações do BB Seguridade têm leve queda, mesmo após a companhia reportar números fracos no primeiro trimestre. 
A queda na emissão de prêmios em importantes áreas de negócios e a alta no pagamento de indenizações a segurados pesaram sobre a companhia, cujo lucro do primeiro trimestre ficou praticamente estável na comparação com um ano antes. A BB Seguridade anunciou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de 958 milhões de reais no período, alta de 0,9 por cento ante mesma etapa de 2015. A variação ficou bem abaixo do crescimento previsto pela companhia para o acumulado deste ano, de 8 a 12 por cento. Na base sequencial, o lucro teve queda de 5,5 por cento.

Segundo a BB Seguridade, o resultado foi afetado também pelo pagamento de alíquotas maiores de PIS/Pasep e Cofins sobre receitas financeiras e da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL). Esses efeitos foram parcialmente compensados por um aumento de 33,1 milhões de reais do resultado financeiro combinado. Ainda assim, a rentabilidade ajustada sobre o patrimônio líquido teve queda de 5 pontos percentuais sobre um ano antes, para 49,9 por cento. Índice combinado, que mede quanto dos prêmios ganhos são gastos com despesas operacionais e pagamento de indenizações a segurados, piorou, passando de 69,7 para 73,1 por cento. Segundo a companhia, contribuiu para a piora do índice o aumento da sinistralidade, concentrada no segmento de prestamista em razão da contabilização de avisos que não haviam sido processados em decorrência de inconsistências cadastrais.

Segundo o Bradesco BBI, os resultados foram fracos, com deterioração operacional na área de underwriting, embora cheia de itens extraordinários; “ainda é início de ano, e guidance está agora sob pressão”, destacam analistas. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 6,07, -2,10%)
As units da Via Varejo registram baixa após os números do primeiro trimestre. A 
rede de comércio de eletromésticos e móveis do Grupo Pão de Açúcar, anunciou na segunda-feira que teve lucro líquido de R$ 3 milhões, uma queda de 98,7 por cento sobre um ano antes. O resultado operacional da companhia, medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação, na sigla em inglês), somou 112 milhões de reais entre janeiro e março, declínio de 78,3 por cento na comparação anual. A margem Ebitda caiu 7,2 pontos percentuais, para 2,4 por cento.

A receita líquida da Via Varejo no período caiu 12,7 por cento, para 4,7 bilhões de reais. Segundo a companhia, as vendas de janeiro refletiram a forte base de comparação. A Via Varejo também fechou lojas consideradas de baixo desempenho. A companhia disse ter implementado campanhas de vendas e, embora a margem de lucro tenha caído, a participação de mercado subiu.

O Itaú BBA ressalta que os resultados foram fracos; “em termos de fluxo de caixa, o desempenho operacional fraco foi ao encontro de uma piora do ciclo do capital de giro, levando a uma deterioração significativa do fluxo de caixa livre”. O Bradesco BBI ressalta que as vendas foram “impactadas severamente” pela piora das condições macroeconômicas. O BTG Pactual ressalta que, apesar de uma leve recuperação nas vendas no trimestre, os números confirmaram a fraca dinâmica operacional da Via Varejo, com a margem EBITDA caindo mais do que as expectativas já pessimistas. “Vemos um forte balanço patrimonial, mas, dado o conflito de interesses inerente com o braço de e-commerce do Casino no Brasil, consideramos que ainda é cedo para apostar na Via Varejo”.

Direcional (DIRR3, R$ 6,01, +2,91%)
A Direcional sobe após registrar lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 29,6 milhões no primeiro trimestre, 18,2% menor frente ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 1,5%, para R$ 405,8 milhões, enquanto a margem bruta foi de 20,5%. 

Segundo o BTG Pactual, o resultado veio em linha com o esperado: “quando olhamos no detalhe, a receita de “Faixa 1” caiu 24%, mas foi mais do que compensada por um aumento expressivo de 88% em receita de desenvolvimento e “Faixa 2′”, destaca o BTG. O banco mantém a Direcional como a top pick do setor, destacando o valuation atrativo. 

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Linx (LINX3, R$ 49,25, +2,60%)
A Linx vê suas ações em alta após a companhia divulgar seus números do primeiro trimestre; a companhia registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no primeiro trimestre, estável em relação ao mesmo período de 2015. A receita líquida subiu 12%, a R$ 118 milhões. Na medida pelo lucro caixa – usado por conta do impacto contábil de benefícios fiscais que não afetam o caixa – o resultado registrou queda de quase 5%, para R$ 22,9 milhões. 

O Itaú BBA espera reação neutra a mais um conjunto de resultados “resilientes, apesar do cenário macro insustentável”, enquanto o Bradesco BBI vê bons resultados, com crescimento sólido orgânico de receita. O Santander destaca, por sua vez, que os resultados representam recuperação em relação ao quarto trimestre de 2015. 

Suzano (SUZB5, R$ 14,10, -1,19%) e Fibria (FIBR3, R$ 29,74, -1,06%)
As ações da Suzano e da Fibria seguindo a baixa do dólar, uma vez que grande parte da receita dessas empresas é atrelada à divisa. A moeda americana registra queda de 1,12%, a R4 3,486 na venda.