Boris Johnson num impasse

Brexit tem semana decisiva e volta a ser fator de instabilidade para o dólar: veja próximos passos

Impasse sobre a saída do Reino Unido da União Europeia impacta mercados pelo mundo todo e influencia o Brasil, com as próximas horas sendo determinantes para futuro do Brexit

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SÃO PAULO – O Brexit passou algumas semanas fora do noticiário, mas há cerca de um mês voltou com tudo aos holofotes, ainda que o mercado não esteja sendo tão impactado. Nesta terça-feira (3), porém, o Parlamento britânico voltou aos trabalhos e os próximos dias serão cruciais para definir se, como e quando o Reino Unido deixará a União Europeia.

E este se torna apenas um novo (velho) fator a se juntar às tensões comerciais como gerador de volatilidade no mercado financeiro. Segundo a equipe da XP Research, o Brexit pode ser mais um evento a impactar negativamente as moedas emergentes, o que inclui o Brasil.

Em pouco mais de um mês, o dólar comercial saiu da casa de R$ 3,73 e chegou a encostar em sua máxima histórica de R$ 4,19 na semana passada. E entre três fatores apontados por analistas para esta alta rápida está exatamente a busca por proteção (hedge) em meio a tantas crises e tensões internacionais.

O primeiro-ministro Boris Johnson avisou desde que entrou no cargo no início do mês passado de que os britânicos deixarão a UE no dia 31 de outubro com ou sem acordo. Para isso, conseguiu fazer a rainha Elizabeth II aprovar a suspensão do Parlamento no período entre 11 de setembro e 14 de outubro.

A manobra serve para evitar que a oposição tenha tempo para aprovar uma mudança que evite o Brexit sem acordo ou que adie a saída por mais alguns meses. E exatamente por isso, estes próximos sete dias se tornaram tão importantes. Caso os parlamentares não encontrem uma solução até o dia 11, correm o risco de não evitarem o divórcio entre Reino Unido e UE do jeito mais duro.

Novas eleições pela frente?
Ganha força entre analistas a avaliação de que o Reino Unido pode passar por novas eleições em breve como desdobramento deste imbróglio.

O cenário ainda é reforçado pelo fato de que Johnson perdeu nesta terça a maioria no Parlamento após o anúncio de que o deputado Philip Lee está deixando o Partido Conservador para se juntar ao Partido Liberal Democrata, de oposição e contrário a um Brexit sem acordo.

Já no fim do dia, o governo sofreu nova derrota, com a aprovação de uma moção que deu o controle sobre o processo do Brexit por 24 horas aos parlamentares.

Com está aprovação, é esperada nesta quarta a votação de uma proposta para adiar o Brexit para 31 de janeiro, o que derrubaria os planos de Johnson de forçar uma saída sem acordo no fim de outubro. Diante disso, o primeiro-ministro deve tentar antecipar as eleições gerais para 14 de outubro, na volta da suspensão.

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Mesmo que não ocorra o adiamento de três meses, Johnson já indicou que pedirá a antecipação da eleição caso os parlamentares consigam aprovar alguma lei para bloquear o Brexit sem acordo.

Brexit com ou sem acordo?
Desde o início, um dos principais problemas (mas não o único) do acordo entre Reino Unido e União Europeia envolve a barreira entre as duas irlandas, já que uma faz parte do bloco britânico e a outra não. E por conta deste entrave, o Morgan Stanley aponta que um Brexit sem acordo se torna o “resultado padrão”.

Por outro lado, o banco destaca em relatório que cresceu a quantidade de parlamentares contra esta saída dura do bloco europeu, o que tende a levar a uma aprovação de moção no Parlamento nos próximos dias de um pedido de adiamento do Brexit. E, por consequência, o Reino Unido deve passar por uma eleição em breve.

Nesta terça, o Goldman Sachs elevou sua estimativa para a probabilidade de um divórcio sem acordo de 20% para 25%. Por outro lado, o cenário básico dos analistas do banco, com 45%, ainda vê que uma variação do acordo rejeitado três vezes no Parlamento seja aprovada.

Enquanto isso, a chance de não ocorrer o Brexit ainda é maior que a saída sem acordo, 30% – sendo reduzida de 35% previstos anteriormente.

Para o Morgan, uma eleição deve decidir qual o próximo passo. Porém, por conta da política bastante polarizada, o resultado para acabar com o impasse deve ser binário: ou a maioria irá decidir por uma Brexit sem acordo ou a maioria irá caminhar para um segundo referendo, o que pode fazer com que o Reino Unido permaneça na UE.

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