Braskem: o que fez ação sair de alta de 8% para queda de 7,7% após lucrar R$ 3,33 bi

A Braskem registrou um lucro ‌líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo ‌trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 267 milhões

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As ações da Braskem (BRKM5) passaram de uma das maiores altas do Ibovespa para queda expressiva nesta sexta-feira (14), em um movimento que reflete a dificuldade do mercado em enxergar uma melhora estrutural para a companhia, mesmo após a divulgação de um resultado do segundo trimestre de 2026 melhor do que o esperado por analistas. O papel fechou em queda de 7,68%, a R$ 4,93, depois de chegarem a cair 12%, a R$ 4,70.

Mais cedo, os papéis chegaram a avançar 8,05%, a R$ 5,77, impulsionados pelos números trimestrais, mas perderam força ao longo do pregão à medida que os investidores voltaram a concentrar atenção nos principais riscos da petroquímica: o elevado endividamento e as incertezas sobre uma eventual reestruturação financeira.

A Braskem registrou um lucro ‌líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo ‌trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 267 milhões registrado no ⁠mesmo ‌período do ⁠ano anterior.

A XP destacou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente somou US$ 1,04 bilhão (R$ 5,25 bilhões), alta de mais de cinco vezes na comparação trimestral e 13% acima do consenso de mercado, embora tenha ficado 6% abaixo da projeção da corretora. O lucro líquido, por sua vez, alcançou US$ 664 milhões (R$ 3,33 bilhões), superando a estimativa de US$ 406 milhões.

Segundo a casa, a recuperação foi impulsionada pela melhora dos spreads petroquímicos globais durante o trimestre, em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que favoreceram os preços ao longo da cadeia petroquímica.

Mercado olha além do trimestre

Apesar do resultado robusto, a XP avalia que a fotografia dos próximos trimestres pode ser menos favorável.

A corretora ressalta que os spreads petroquímicos começaram a perder força no fim do segundo trimestre, o que pode levar a uma piora sequencial dos resultados. Além disso, os volumes vendidos continuaram pressionados.

O volume total de vendas da Braskem atingiu 2,22 milhões de toneladas, queda de 2% na comparação trimestral e de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. No México, um dos destaques negativos foi a queda da taxa de utilização para 43%, com a Braskem Idesa priorizando a preservação de liquidez.

Outro fator acompanhado de perto pelos investidores foi a situação financeira da empresa. Embora a alavancagem tenha recuado de 18,18 vezes para 6,74 vezes dívida líquida/Ebitda nos últimos 12 meses, a dívida líquida avançou US$ 177 milhões no trimestre, para US$ 8,66 bilhões.

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Além disso, o fluxo de caixa livre continuou pressionado pelo consumo de capital de giro, aumento de estoques, investimentos, pagamento de juros e desembolsos relacionados ao acordo de Alagoas.

Incerteza sobre reestruturação domina debate

Para parte do mercado, a reação negativa das ações está menos relacionada aos números operacionais e mais ao futuro da estrutura de capital da companhia.

Segundo Otavio Faria, analista de renda fixa da Eleven Financial, o desempenho operacional do trimestre foi positivo, mas o foco dos investidores segue concentrado nas discussões sobre uma possível reestruturação das dívidas.

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Na avaliação do especialista, a forte volatilidade do papel mostra que a tese de investimento hoje está muito mais associada a eventos corporativos do que aos fundamentos de curto prazo da petroquímica.

“A ação chegou a subir forte após o resultado, mas devolveu os ganhos. O mercado está tentando entender qual será o próximo passo da companhia”, afirmou.

Faria observa que os investidores monitoram diferentes cenários, que vão desde uma negociação direta com credores até alternativas mais amplas de reestruturação. Enquanto não houver maior clareza, a tendência é de manutenção da elevada volatilidade dos ativos da empresa.

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Segundo ele, o ambiente ainda é considerado nebuloso para investidores institucionais, o que acaba abrindo espaço principalmente para operações de perfil mais especulativo.

Resultado positivo não basta para mudar narrativa

A avaliação é semelhante à de Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital.

Para ele, apesar de a companhia ter apresentado números superiores às expectativas e revertido o prejuízo registrado um ano antes, os investidores continuam sem enxergar uma solução definitiva para os desafios financeiros da empresa.

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“A Braskem ainda luta com o cenário de possível recuperação judicial. Mesmo com resultados melhores do que a expectativa do mercado, o mercado ainda não enxerga uma luz no fim do túnel”, afirmou.

Mais cedo, em teleconferência, a nova administração da Braskem afirmou que as negociações da empresa com credores bancários e detentores de títulos de dívida da companhia estão evoluindo positivamente para dar à petroquímica uma estrutura de capital sustentável.

“O processo está avançando bem. As conversas estão construtivas. O objetivo é negociação consensual e isso está avançando positivamente”, disse o novo diretor financeiro da Braskem, Carlos Augusto Brandão, em conferência com analistas após a publicação de resultados de segundo trimestre da companhia.

“(A negociação) vai equilibrar a estrutura de capital da companhia de forma definitiva e vai viabilizar o longo prazo”, acrescentou o executivo, sem dar detalhes sobre prazos ou termos discutidos.

A nova gestão da Braskem foi eleita em junho, após a gestora de investimentos IG4 adquirir a participação de controle antes detida pela Novonor na petroquímica.

O novo presidente-executivo da Braskem, Helcio Tokeshi, afirmou que a gestão da empresa mantém visão de longo prazo para a companhia, inerente ao setor petroquímico, mas que está buscando equilibrar essa perspectiva com as necessidades de curto prazo para a empresa solucionar sua estrutura de capital.

“É uma indústria em que não faz sentido pensar com prazo curto demais. Não se trata de situação de trimestre ou ano, mas de situação estrutural em que temos que transformar o negócio para ter eficiência e flexibilidade em tempos que seguirão desafiadores”, disse Tokeshi.

A Braskem está em discussões avançadas para um potencial pedido de recuperação extrajudicial, que pode ser protocolado ainda este mês, visando equacionar mais de US$10 bilhões em dívidas em suas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, disseram à Reuters nesta semana duas pessoas familiarizadas com as negociações.

(com Reuters)