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Mais uma vez, os resultados apresentados pela Braskem (BRKM5) foram considerados ruins. Mas, mesmo assim, as ações saltaram nesta terça-feira (11): os ganhos foram de 18,04%, a R$ 7,72, sendo o destaque de alta do Ibovespa.
Em destaque, a Bloomberg publicou na noite da véspera que a Novonor “estaria perto” de acordo para vender sua participação para a empresa de investimentos IG4; posteriormente, a Reuters publicou notícia na mesma direção. Há anos as discussões para venda da participação da Novonor na Braskem são alvo de rumores da mídia, mas um acordo definitivo nunca foi anunciado.
Nomes que já foram citados como estando em negociações para a compra da participação da Novonor incluíram o empresário Nelson Tanure, a petroquímica dos Emirados Adnoc, a brasileira Unipar (UNIP6) e a europeia LyondellBasell.
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No final de agosto, a Reuters publicou que a Petrobras (PETR4), que tem cerca de 47% das ações com direito a voto da Braskem, vinha se mostrando receptiva a uma proposta da gestora de private equity IG4 Capital pela petroquímica, com quem negociava durante período de exclusividade.
Além disso, a petroquímica, junto com os resultados, anunciou um acordo com o estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros da capital alagoana, Maceió. O desastre foi causado pela extração de sal-gema desenvolvida pela companhia.
O valor será pago ao longo de dez anos, e R$ 139 milhões já foram desembolsados, segundo informou a empresa.
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Para o Bradesco BBI, se, por um lado, o acordo assinado com o estado de Alagoas triplica o valor provisionado, por outro, os pagamentos eliminam mais um obstáculo para a Braskem impulsionar seu processo de reestruturação, potencialmente com novo capital de parceiros atuais ou novos.
“Com a situação da Braskem se deteriorando rapidamente, não há uma solução mágica para o problema, mas uma possível injeção de capital por um novo acionista poderia proporcionar um bom alívio à liquidez da empresa, juntamente com as tarifas antidumping á aprovadas e a iminente aprovação do PRESIQ (Programa Especial para a Sustentabilidade da Indústria Química)”, avaliam os analistas do BBI.
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O projeto visa promover o desenvolvimento da indústria petroquímica brasileira por meio da concessão de créditos fiscais para empresas elegíveis. Para analistas de mercado, o programa de incentivos para a indústria petroquímica pode ser um apoio essencial para a Braskem.
Sobre os números da companhia em si, o BBI aponta que os resultados do 3T25 da Braskem mostraram uma deterioração muito rápida na frente operacional, com as vendas caindo acentuadamente em relação ao ano anterior (aproximadamente -14% para polietileno (PE) e o polipropileno [PP]) e queima de caixa de US$ 424 milhões, significativamente acima de suas estimativas oficiais. A sazonalidade positiva do 3T quase não se manifestou.
A empresa vem perdendo participação de mercado em um mercado químico brasileiro em enfraquecimento, e os spreads se estreitaram ainda mais, aumentando a urgência da aprovação do PRESIQ.
O banco também espera que a aprovação das tarifas antidumping de PE contra os EUA comece a mostrar efeitos positivos no 4T25.
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Como resultado do balanço abaixo do esperado, o BBI revisou suas estimativas de lucro para baixo novamente, enquanto agora considera os benefícios das tarifas antidumping dos EUA e a aprovação do PRESIQ. O banco reduziu o preço-alvo para R$ 8/ação (US$ 3,00/ADR, ou recibo de ações), de R$ 10/ação (US$ 3,50/ADR).
Para os analistas, apesar do alívio proporcionado por ambas as medidas, a liquidez de 5 anos da Braskem ainda é restrita e a estrutura de capital da empresa permanecerá com alta alavancagem; portanto, os acionistas controladores devem decidir em breve sobre uma solução para tornar a tese de investimento sustentável.
“Acreditamos que essa solução pode vir por meio de: (i) uma oferta de ações, vinculada a um novo acordo de acionistas que aumentaria a influência da Petrobras na empresa, e/ou (ii) uma reestruturação da dívida que poderia incluir múltiplos cenários”, conclui.
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O UBS BB também viu o resultado mais uma vez como fraco, com consumo de caixa acumulado no ano de US$ 1,1 bilhão.
“Embora em grande parte em linha com nossas expectativas e com o consenso do mercado, a Braskem apresentou resultados fracos em meio a um cenário desafiador do setor que persiste”, avalia.
No lado positivo, os analistas do banco observam cinco desenvolvimentos externos que ajudam a reduzir o risco da história até certo ponto: 1) o projeto de lei REIQ/PRESIQ no Congresso; 2) notícias sugerindo uma resolução da estrutura acionária; 3) medidas antidumping; 4) o acordo anunciado com o Estado de Alagoas com um longo cronograma de pagamentos; e 5) tarifas de importação renovadas durante o trimestre.
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“No geral, esses fatores permanecem como pré-condições para um retorno à geração de caixa em um futuro próximo. Embora o progresso tenha começado a se materializar, continuamos a ver um caminho que pode enfrentar volatilidade e incerteza significativas”, avalia o UBS BB, seguindo recomendação neutra, assim como a do BBI.
(com Reuters)