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SÃO PAULO – Preocupados com a disparada do dólar frente ao real e a instabilidade do mercado financeiro, os investidores buscam novas alternativas para aplicar suas economias. Os mais desesperados já chegaram a cogitar transferir seu dinheiro para uma conta no exterior, para protegê-lo de qualquer colapso que possa ocorrer no Brasil. Abrir uma conta fora do país é bastante simples e pode ser feito por qualquer brasileiro. No entanto, essa operação de transferência de recursos é muito delicada, sobretudo no que diz respeito ao risco de perdas cambiais.
Ao engenheiro João Carlos Yoshima, cliente do Bank Boston, foi oferecida na semana passada a abertura de uma conta nos EUA, em função do forte terremoto que vem abalando o mercado nos últimos dias. “Não estou me sentindo seguro com esse nervosismo todo do mercado, e por isso quero dar uma modificada nos meus investimentos”, afirma. Ter uma conta no exterior pode parecer muito tentador, porém não com o dólar no patamar em que está. Na última terça-feira, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,82, o que põe em
dúvida a viabilidade dessa operação.
Contas no exterior oferecem segurança
Atraídos pela estabilidade e pela confiança no dólar, investidores de todo o mundo optam pela aplicação em moeda estrangeira. E não é simplesmente retorno que as pessoas esperaram ao transferir dinheiro para o exterior. É uma questão de se preservar o patrimônio. Além da proteção contra o aumento constante dos preços, isto é, inflação, a grande vantagem de ter seu dinheiro depositado em cofres de bancos norte-americanos ou europeus é a solidez do investimento.
As aplicações tradicionais de renda fixa nos EUA estão atreladas aos títulos do Tesouro norte-americano e a outros papéis de primeira linha, que dificilmente sofrerão uma moratória. Portanto, o risco desse tipo de aplicação apresentar um prejuízo é próximo a zero. Mesmo que a rentabilidade não seja das melhores – próxima a 4% ao ano -, o que atrai estes investidores mais conservadores é a segurança.
Investidores podem sofrer perdas no futuro
O principal motivo para a disparada do dólar é o resultado das pesquisas eleitorais, que apontam uma vitória do candidato da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva, na sucessão presidencial. Outro fator que elevou a cotação da moeda estrangeira foram as perdas
dos fundos DI, que motivaram alguns investidores a aplicar em fundos cambiais. Quando as eleições tiverem passado, o mercado tenderá a se acalmar, favorecendo uma desvalorização do dólar frente ao real.
Quem estiver transformando reais em dólares nesse momento estará correndo o risco de assistir a uma desvalorização no final do ano, o que acarretará em perdas significativas. Terminado o processo eleitoral, a tendência é que o mercado se acalme, contendo a
procura pela moeda norte-americana e conseqüentemente, fazendo com que o dólar volte para um patamar mais baixo. Se por ventura o candidato do PT assumir a presidência da República, a dívida pública deverá continuar sendo paga. Não há motivos para o atual
pânico, já que o risco de moratória da dívida é baixo.
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Abertura de conta exige pouco trabalho
Mesmo no elevadíssimo patamar do dólar, alguns investidores não abriram mão da segurança e transferiram parte de seus ativos para o exterior. Esse é o caso da empresária Germínia Sochask, que decidiu resgatar suas aplicações em fundos DI transferindo seu dinheiro para os EUA. “Já tinha uma conta fora do país com o meu marido e achei que essa é a hora de mandar o dinheiro para lá”, conta a empresária, que já vivenciou grandes perdas nos planos econômicos brasileiros nas últimas décadas.
Abrir uma conta no exterior é uma tarefa bastante simples, que pode ser feita por qualquer brasileiro. A operação não demora mais de quatro dias, entre a abertura da conta e o envio do dinheiro. Basta escolher um banco norte-americano com um filial no Brasil e enviar
a declaração de Imposto de Renda e uma Certidão Negativa de Tributos Federais, que são exigências feitas pelo Banco Central (BC), para comprovar a origem do dinheiro e se você está em dia com a Receita.
Lembre-se de que você terá que pagar CPMF duas vezes para mandar o dinheiro para fora. Durante a primeira operação, seu dinheiro é transferido da sua conta para CC5 – conta do BC por onde passam os recursos que saem do país -, pagando CPMF. De lá o dinheiro vai
finalmente ao destino final, e paga outra vez a contribuição. Algumas taxas podem ser cobradas pelos bancos como a de custódia, dependendo do tipo de aplicação. O mais comum é que seja cobrada uma taxa de transferência, que varia de 0,2% a 1% do montante, ou uma taxa única de US$ 500.
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Diante disto, a melhor recomendação ao investidor é calma, pois mudanças bruscas na forma de investimento durante épocas de crise como a atual, em geral acabam levando o investidor a perder dinheiro.