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SÃO PAULO – O Brasil criou o samba, a bossa nova e outros ritmos mundialmente conhecidos, e a música está fortemente presente na vida dos brasileiros. Porém, na hora de consumir essa música, as pessoas nem sempre fazem o legalmente correto, optando por comprar CDs piratas ou fazer downloads da internet.
E esse tipo de comportamento se repete, mesmo quando os preços dos CDs diminuem. Entre 2006 e 2007, os preços de CDs e DVDs musicais caíram 17,5%, porém, isso não significa que as pessoas deixaram de comprar os produtos falsos para adquirir os verdadeiros.
As vendas também registraram queda no período, de 19,2%, considerando somente os CDs. Segundo dados da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos), em 2006, foram comercializadas 31,4 milhões de unidades, enquanto no ano passado esse número caiu para 25,4 milhões. O faturamento do setor teve queda de 33,2%, indo de R$ 322 milhões para R$ 215 milhões.
Aumento da pirataria
Segundo o coordenador antipirataria na internet da APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música), Edner Bastos, o mercado paralelo tem aumentado no setor fonográfico. “Com aumento do acesso à banda larga, aumenta também a pirataria, porque as pessoas baixam muitas músicas em pouco tempo”, afirma.
Bastos também informa que a pirataria física é maior para filmes e DVDs, enquanto para os CDs ela já não tem uma participação tão grande.
No setor fonográfico como um todo, 48% do mercado está tomado pela pirataria, o que, segundo a APCM, já ocasionou a perda de mais de 80 mil empregos formais e o fechamento de 3,5 mil pontos-de-vendas legalizados. Além disso, a produção cultural também foi afetada, já que as gravadoras reduziram em 50% os lançamentos de produtos nacionais e a contratação de artistas locais.
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Incentivo à pirataria
Uma pesquisa do Instituto Akatu sobre pirataria mostrou que muitos consumidores optam por pagar menos por um produto pirata por não confiarem no destino que as instâncias governamentais dão ao imposto cobrado nos produtos.
Por isso, o argumento de que comprar produtos falsos não é bom para a população, devido à perda na arrecadação, não mobiliza os consumidores, que avaliam que o custo-benefício do produto pirata é mais vantajoso do que o do legal.
O estudo também apontou que, apesar de prejudicar o comércio formal, as pessoas acreditam que estão ajudando o camelô, que não consegue um emprego formal e que, apesar das dificuldades, não está assaltando.