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SÃO PAULO – Quem pensa que neoliberalismo, Nova Ordem Mundial e terceirização da mão-de-obra eram termos exclusivos dos livros de economia e geopolítica, podem ter uma surpresa diante da realidade econômica brasileira. Encontrar um emprego não é mais uma dificuldade exclusiva de trabalhadores desqualificados, e tornou-se um desafio para profissionais altamente capacitados, com diplomas de graduação e pós-graduação de renomadas universidades.
Na verdade, além do desemprego estrutural, outra fonte responsável pela diminuição das ofertas de vagas de trabalho são as novas relações trabalhistas que imperam num número cada vez maior de empresas. Ser autônomo, free-lancer ou fazer um “bico” de vez em quando faz parte da vida de milhões de trabalhadores em todo país. Tornar-se um profissional independente, no entanto, pode trazer diversas vantagens como um aumento nos rendimentos brutos no final do mês e maior flexibilidade no horário de trabalho.
Encargos desestimulam criação de postos de trabalho
Um funcionário padrão para uma empresa, com renda mensal de R$ 2 mil, acaba custando quase o dobro do valor de seu salário. Isso significa que uma empresa com 10 funcionários desse nível saem por mês aproximadamente R$ 40 mil, ou R$ 480 mil por ano. Sob essas condições legais, terceirizar a mão-de-obra tornou-se uma estratégia eficiente para burlar os encargos trabalhistas e reduzir substancialmente os custos fixos da empresa.
Em 2000, aproximadamente 45% dos 64 milhões de trabalhadores brasileiros não possuíam vínculos empregatícios. Para ser eficiente e maximizar seus lucros, uma firma precisa promover periodicamente reestruturações, sobretudo no que diz respeito ao departamento de recursos humanos. Anúncios de cortes de funcionários já virou rotina nos principais jornais, para o desespero de muitas famílias que dependem da renda do trabalhador.
No entanto, essa notícias encobrem o fato de que muitos desses novos desempregados perdem apenas os vínculos formais com as empresas e continuam prestando serviços de forma autônoma.
Muitos deles continuam inclusive trabalhando dentro da própria empresa, e realizando as mesmas tarefas de antigamente. Outros, porém, tornam-se verdadeiros profissionais autônomos e começam a prestar serviços para outras empresas.
Abertura de empresa substitui antigos vínculos de trabalho
Um opção recorrente entre muitos ex-funcionários é a abertura de uma empresa, isto é, ao invés de uma pessoa física continuar prestando o serviço, uma pessoa jurídica recém-criada é quem realizará o trabalho e será paga por isso. A constituição de uma empresa implica em vários procedimentos burocráticos, que vão desde taxas de abertura da firma a novos impostos que serão cobrados. Em primeiro lugar, será preciso desembolsar uma taxa de R$ 1.200 para a abertura da nova empresa, processo que dura em média 30 dias.
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Com relação aos impostos, uma empresa classificada como prestadora de serviços precisa recolher 3,65% de PIS e Cofins, ISS de 5% (em São Paulo), 4,8% de IR ( dos quais 1,5% é dedutível) e 1,08% de INSS. Recomenda-se contratar os serviços de um contador para facilitar todos esses procedimentos e economizar tempo.
Planejamento da aposentadoria
Diante desse novo quadro do mercado de trabalho, o profissional acaba ficando sem a proteção das leis trabalhistas e precisa cuidar pessoalmente de itens que anteriormente ficavam sob os cuidados da empresa. Chegou a hora de planejar a aposentadoria e buscar um plano de saúde que encaixe nos novos padrões de vida. Nesse sentido, cresce ainda mais a importância de administrar bem as próprias finanças e saber onde investir as economias.
Nos últimos anos, novos produtos foram lançados pelas instituições financeiras, visando esse novo nicho de mercado. Entre as opções estão os PGBLs, e os VGBLs, que misturam previdência privada e seguro de vida. No entanto, é possível investir sua poupança em outras aplicações mais rentáveis e administrar por conta própria sua carteira de investimentos.