Economia

Brasil vai ‘virar’ a produção industrial, afirma Levy

A promessa foi feita nesta terça-feira, em Paris, pelo ministro horas após a divulgação da contração de 1,2% da produção das fábricas em abril na comparação com março

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O Brasil vai “virar a produção industrial”. A promessa foi feita nesta terça-feira, 2, em Paris, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, horas após a divulgação da contração de 1,2% da produção das fábricas em abril na comparação com março. De acordo com ele, parte da contração registrada em abril foi gerada pela menor atividade no setor automotivo, que recebia estímulos no primeiro governo de Dilma Rousseff, agora extintos.

 

“A gente vai virar a nossa produção industrial”, garantiu Levy, após uma reunião com Jean Pisani-Ferry, comissário-geral da France Stratégie, um órgão ligado ao primeiro-ministro francês, Manuel Valls, voltado para políticas de longo prazo no país. “Obviamente nós tivemos alguns anos com muito apoio e uma produção (automobilística) muito mantida pelo crédito público”, disse, avaliando o atual cenário de queda nas vendas de veículos como “um período de acomodação”.

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Apesar de não demonstrar surpresa com a queda na produção automotiva, Levy ressaltou que o segmento é importante. “Todo esse setor é relevante. O setor de autopeças é uma área que deveria ter vantagem competitiva”, disse. “Tem de ver se a estrutura de proteção favorece ou não favorece (a competitividade)”, completou, ressaltando a importância desse segmento da indústria para o País.

 

Segundo Levy, a proteção comercial da cadeia de produção ligada ao setor automotivo “não é muito alta”, sendo mais concentrada “no final da cadeia”. Questionado sobre eventuais medidas para alterar as condições de proteção do setor, o ministro não deu detalhes. “Isso é questão que tem de ser estudada. A gente não vai fazer nenhum movimento”, afirmou.

 

Levy admitiu que o atual nível do real em relação ao dólar “tem ajudado a indústria”. “O câmbio está no nível em que os mercados decidem e que reflete também a percepção sobre a nossa produtividade”, afirmou em um primeiro momento, reconhecendo a seguir que “esses elementos são cada vez mais importantes” para o horizonte após o ajuste econômico em curso. “Vencida a primeira parte do ajuste, (é importante) para que as pessoas tomem decisões de investimento.”

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Pós-ajuste

 

No encontro com Pisany-Ferry, Levy discutiu infraestrutura, inovação, produtividade, a inserção das novas gerações e o acordo de livre comércio com a União Europeia. Ao deixar a reunião, Levy afirmou ter projetado com o francês como aproveitar as atuais condições para obter “crescimento sustentável através de medidas do lado da oferta e algumas medidas estruturais”.