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O Brasil, que nunca foi fácil, está cada vez mais difícil se entender. Se não, vejamos:
– Economia – O pacote de ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy traz mudanças na legislação trabalhista e por isso sofre oposição do PT e da CUT, bases de sustentação política e social do Governo que emprega o mesmo ministro. A inflação alta, o desemprego, os juros estratosféricos, a queda na arrecadação, os desajustes na balança comercial, a retração nos investimentos e no crédito apontam o caminho do brejo. E o partido da presidente da República, em Congresso marcado para o final de semana, pretende condenar as políticas adotadas para a pavimentação de um terreno mais firme. Chamam de “agenda neoliberal”. A proposta seria então voltar às mesmas políticas que originaram a atual situação? Isso vai acabar em aumento de carga tributária, claro!
– Política – A presidente da República isolada e assustada com a brusca queda de seus índices de popularidade após o processo eleitoral, se vê obrigada a entregar a articulação política ao aliado PMDB, justamente aquele partido que o governo tentou desidratar no início deste segundo mandato incitando a criação de novos partidos e uma disputa suicida pela presidência da Câmara dos Deputados. E mais, em entrevistas e declarações demonstra estar completamente distante da realidade do brejo e fala em volta por cima na Petrobras, retomada de crescimento, agenda positiva, etc. Mete a cumbuca em assuntos com os quais não precisaria se desgastar junto ao Congresso: maioridade penal, por exemplo. Isso não se sabe como vai acabar.
– Segurança – A crueldade da violência espalhada país a fora, sempre com maior repercussão no Rio de Janeiro, acirra a discussão sobre redução da maioridade penal e aumento do tempo de reclusão aproximando quem nos últimos vinte anos protagonizou a grande disputa eleitoral no Brasil: PSDB x PT. Será isso um avanço? Um amadurecimento político? Como é possível se o PSDB vota contra bandeiras criada pelo partido, como o a fator previdenciário e o fim da reeleição, quase somente para se contrapor ao governo “do PT”? E ainda tem a bancada da bala brigando para alterar o Estatuto do Desarmamento e botar mais armas nas ruas. Isso pode acabar em algo explosivo.
Como se vê, tá difícil.
E olhe que não falamos em FIFA/CBF, Petrolão, infraestrutura, saúde, educação, saneamento básico, meio ambiente….
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De Brasília, Franklin Mendonça, jornalista