Um retrato mais sombrio

Brasil Plural corta previsão para o PIB do Brasil e espera contração de 1,7% em 2015

O banco reduziu a previsão de crescimento para 2016 de 0,5% e afirmou que não espera uma recuperação antes do último trimestre deste ano

SÃO PAULO – O banco Brasil Plural divulgou relatório nesta sexta-feira (10) e deixou claro sua opinião sobre o cenário de 2015-2016 no Brasil ao entitular o relatório em “um retrato mais sombrio”.

Os três economistas que assinaram o relatório, Mario Mesquita, Rafael Ihara e Raphael Ornellas, explicaram que o ajuste para baixo, para 2015 e para 2016, no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foi embasado em três pontos: a confiança, nos negócios ou na família – que continua em queda livre -, a deterioração no mercado de trabalho – que tem sido muito mais forte do que anteriormente previsto – e o ciclo de política monetária e suas consequências para as taxas de juros reais.

Se antes, eles esperavam uma contração de 1,2% do PIB, agora a previsão para 2015 é contração do PIB de 1,7 %. A equipe também reduziu a previsão para o crescimento econômico em 2016: de crescimento de 1% para 0,5%. 

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Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), a confiança na indústria caiu 13% no segundo trimestre deste ano, depois de uma queda de 3,2% no primeiro trimestre, atingindo o nível mais baixo da série histórica. A confiança do consumidor caiu 1,4% no segundo trimestre depois de cair 11,4% no primeiro e atingiu a segunda mínima histórica em junho (o primeiro foi em março). “Neste ambiente, é difícil imaginar uma recuperação do investimento ou consumo privado no curto prazo.”, afirmaram em relatório.

Falando de mercado de trabalho, o argumento segue a linha da lei de Okun: a deterioração no mercado de trabalho e a atividade econômica estão sendo simultâneos. “A desaceleração econômica, que começou no ano passado, está afetando o mercado de trabalho, o que pode levar a atividade ainda mais para baixo, através dos efeitos do aumento do desemprego e o seu impacto sobre o rendimento e confiança, dificultando o consumo privado”. O desemprego aumentou 0,8 ponto percentual no primeiro trimestre de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado, e deve subir 1,7 ponto percentual no segundo trimestre. 

Do lado da oferta, eles esperam uma perspectiva ainda pior para o setor industrial com contrações em ambos os anos, com queda de 5,8% em 2015 e  contração de 0,2% em 2016, em linha com a atual dinâmica e para o ambiente de baixa confiança e estoques elevados. 

Sobre a inflação, a revisão foi feita para cima. O banco subiu sua previsão de 8,7% para 9,4% em 2015 e 5,9% ante 5,7% em 2016. “E, dada a inflação mais elevada este ano, também estamos revisando nossa expectativa para 2016 devido à inércia. Em uma nota positiva, ainda vemos alguns riscos descendentes para 2016 da inflação relativos a uma melhoria das condições meteorológicas no próximo ano (e as suas consequências para as tarifas de eletricidade no sistema de bandeira) e uma deterioração mais acentuada nos indicadores de emprego e lucros”.