Brasil ocupa 1º lugar no ranking de reciclagem de latas de alumínio

País tem índice de 85%, o que corresponde ao reaproveitamento de 9 bilhões de unidades, num total de 119,5 mil toneladas

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SÃO PAULO – O Brasil é atualmente o campeão mundial em reciclagem de latas de alumínio entre os países em que essa atividade não é obrigatória por lei, com um índice de 85% de reaproveitamento. Os dados são da Associação Brasileira de Alumínio (ABAL) e se referem ao ano de 2001, apesar de terem sido publicados recentemente.

O índice de 85% de reciclagem de latas de alumínio corresponde ao reaproveitamento de 9 bilhões de unidades, num total de 119,5 mil toneladas. No Brasil, estima-se que cerca de 150 mil pessoas vivam da coleta de latas de alumínio e que algo em torno de 2 mil empresas estejam envolvidas nessa atividade, que movimenta R$ 750 milhões por ano.

Japão ocupava o primeiro lugar desde 1995

O ranking mundial esteve liderado pelo Japão durante o período compreendido entre os anos de 1995 até 2000. Porém, no ano passado, o índice deste país ficou em 82,8%, com crescimento de 1% ao ano, frente ao índice brasileiro de 85%, com incremento médio de 7,3% ao ano.

Cooperativas de catadores impulsionam índice nacional

A taxa brasileira de reaproveitamento das latas de alumínio tem sido impulsionada por diversos fatores, como a intensa campanha de divulgação promovida pelas indústrias nacionais, incentivando a coleta seletiva de lixo e reciclagem, além da própria miséria em que vive grande parte da população do país.

Outro fator fica com o aumento do número de cooperativas de catadores de latas, expansão da rede de coleta de latas, que abrange todo o país e ao aumento do valor residual das latinhas como sucata.

Alumínio pode ser reciclado infinitas vezes

A ABAL ainda destaca que, diferentemente da maioria dos outros materiais, “qualquer produto feito em alumínio pode ser reciclado infinitas vezes, sem perder suas qualidades no processo de reaproveitamento”.

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A indústria de alumínio utiliza o conceito de vida útil esgotada de um produto, através deste, são definidos períodos de ciclo de vida dos produtos, que vão desde o nascimento deste até o seu consumo e descarte.

O período pode variar bastante com o produto e quanto mais curto este tempo for, mais rapidamente o material pode ser reciclado.A lata de alumínio, por exemplo, tem ciclo de vida de 45 dias, enquanto os cabos de alumínio para o setor elétrico duram 40 anos.

Reciclagem traz vantagens ambientais e econômico-sociais

A possibilidade do grande quantidade de reciclagens dá ao alumínio uma série de vantagens, como a proteção ambiental, a economia de energia e o papel multiplicador na cadeia econômica, por meio da renda gerada pela coleta de sucata.

A reutilização do alumínio, além de contribuir para o desenvolvimento de uma consciência ecológica e incentivar a reciclagem de outros materiais, traz diversas vantagens para o ambiente, como a redução do volume de lixo, que atualmente é um dos maiores problemas urbanos.

No caso do Brasil, a atividade ainda assegura a renda de diversas famílias carentes, sendo encarada como um trabalho permanente que remunera a mão-de-obra sem qualificação.

Com a intensificação da reciclagem, outros negócios são estimulados, como a geração de novas atividades produtivas (máquinas e equipamentos especiais). Com isso, novos empregos são gerados, mais impostos são recolhidos, recursos são injetados nas economias locais.

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Mais uma vantagem: economia de energia

A atividade de reciclagem do alumínio tem mais uma grande vantagem, a economia de energia, através da otimização dos recursos ambientais.

Ainda segundo a ABAP, “reciclar economiza até 95% de energia para produzir alumínio a partir da bauxita”. Cada tonelada reciclada poupa a extração de 5 toneladas deste minério, matéria prima do alumínio.

Alumínio não se encontra isolado na natureza

O alumínio não ocorre isoladamente na crosta terrestre e depende de que seus minérios geradores, principalmente a bauxita, contenham no mínimo 30% de alumina (óxido de alumínio de alta pureza).

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A bauxita é submetida a um processo químico, chamado refinaria, que tem como produto final a alumina calcinada. Esta, por sua vez, é insumo do processo eletrolítico redução, que resulta em alumínio metálico, depositado no fundo de uma caldeira e recolhido, por sucção, para uma fundição.

É justamente esta etapa de redução que consome grandes quantidades de energia elétrica, fazendo com que a produção de alumínio tenha altos custos e a reciclagem seja ainda mais importante.