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SÃO PAULO – Na última semana, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) anunciou a realização de uma audiência pública para discutir a possibilidade de uma concorrência no mercado de ações no Brasil, o que tornaria possível a criação de novas bolsas de valores. Porém, analistas acreditam que este ainda não é o momento certo para que exista mais de uma bolsa no País.
A audiência ficará aberta até o dia 12 de agosto e, de acordo com os analistas Mario Pierry, Marcelo Cintra e Tito Labarta, do Deutsche Bank, três temas serão o foco das discussões: melhores políticas de execução, a fragmentação dos dados e a regulação do mercado. Para o trio, a CVM ainda não deve discutir a concorrência entre bolsas neste momento, focando apenas nas possibilidades que isso poderia criar.
Já a equipe da XP Investimentos ressalta que a discussão sobre uma nova bolsa é antiga, mas que existem algumas barreiras que evitam empresas como a Direct Edge e a Cetip (CTIP3) de participarem de uma possível concorrência para uma nova bolsa que não seja a BM&FBovespa (BVMF3), o que dificulta o cenário. Para eles, o Brasil ainda não tem espaço para duas bolsas de valores, dado o baixo número de empresas listadas, de IPOs (Initial Public Offering) e de volume.
Os analistas do Deutsche destacam que esta audiência servirá para que a CVM estude as consequências de uma bolsa dividida no País, podendo antecipar as possíveis medidas necessárias. Comparando com outros mercado, como nos EUA e Europa, a autarquia acredita que é preciso melhorar as políticas de execução no Brasil para que esta mudança ocorra.
Entre os pontos que devem ser estudados pela CVM durante esta audiência estão também melhores políticas de execução por tipo de investidor e desafios e custos dos corretores para se conectar a diferentes bolsas e rotear ordens. A equipe da XP acredita que o debate não deve se estender, e que nenhuma decisão sobre uma nova bolsa deverá ser tomada nesse momento.
Um passo mais próximo de nova bolsa
Mesmo com analistas acreditando que dificilmente teremos uma nova bolsa no Brasil, a ATS Brasil deu mais um passo em direção a esse novo cenário. Na terça-feira da semana passada (18) a companhia protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pedido para lançar uma nova bolsa de valores no País. No dia seguinte, os ativos da BM&FBovespa registraram forte queda, de 6,95%, que se estendeu por outras duas sessões.
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A ATS surgiu no final de 2012, a partir da associação da NYSE Euronext e da Americas Tranding Group (ATG), e hoje funciona no Brasil como uma roteadora de ordens. Junto com o pedido, a empresa entregou um documento que mostra seu plano de negócios e também uma análise de cenários. Em um primeiro momento, o foco será em negociações de ativos no mercado à vista e depois deverá evoluir para negociar também opções.
Segundo o estrategista da Futura Corretora, Luis Gustavo Pereira, não é possível projetar uma queda de volume de negócios na BM&FBovespa com a entrada de concorrentes, mas caso isso ocorra, deve haver um impacto negativo nas margens de lucro da companhia.