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SÃO PAULO – Analisando a possibilidade de novas altas nas margens operacionais das empresas listadas na BM&F Bovespa – que já encontram-se em patamares recordes -, a equipe do Deutsche Bank acredita que a direção dos preços das commodities é o ponto chave que guiará a movimentação dos indicadores operacionais das companhias domésticas.
Segundo análise feita por Frederick Searby e Francisco Schumacher, a expectativa é de que as margens operacionais corram o risco de cair, devido à longa duração em que se encontra o ciclo de alta dos preços dessas matérias-primas. Por outro lado, eles avaliam que o Ibovespa encontra-se negociado com um leve desconto pequeno em relação à média dos últimos cinco anos.
No entanto, Searby e Schumacher lembram que as empresas produtoras de materiais básicos respondem por praticamente 50% da composição da carteira teórica do Ibovespa, e essa forte exposição às commodities faz com que o ciclo de preços no mercado internacional torne-se bem mais relevante do que os eventos de âmbito doméstico.
Contudo, é importante mencionar que as empresas ligadas ao setor de consumo não mostram-se pressionadas por essa oscilação de preço das commodities. É o que podemos perceber ao olhar o índice em 2010: embora as ações de empresas como Souza Cruz (CRUZ3), AmBev (AMBV4) e Lojas Renner (LREN3) tenham subido entre 47% e 66%, o Ibovespa fechou o ano com queda de 1,04%, pressionado pela forte desvalorização da petrolífera Petrobras (PETR3, -24,33%; PETR4, -22,97%) e das siderúrgicas Usiminas (USIM3, -13,06%; USIM5, -20,51%) e Gerdau (GGBR4, -20,94%).
Estatais
Searby e Schumacher também ressaltam o forte capex (investimentos em bens de capital) estimados pelas empresas brasileiras, o que levanta preocupações a respeito de queda de margens e retornos, ressaltando os US$ 220 bilhões da Petrobras e os US$ 60 bilhões da Vale (VALE3, VALE5).
Além disso, investidores têm estado preocupado com as estatais, que deverão ter menor retorno à medida que os projetos dessas empresas sirvam a estratégia do governo. No caso da Vale, embora ela seja uma empresa privada, existe uma pressão política bem forte sobre a empresa, o que ficou evidente com a queda do ex-presidente da companhia, Roger Agnelli.
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Mercado de trabalho e dólar
Os analistas também chamam atenção para o mercado de trabalho, que já tem pressionado alguns setores, como o de construção civil, que constitui 10% do Ibovespa. É por conta de sua baixa exposição ao mercado de trabalho que as telecomunicações são as empresas favoritas do Deutsche Bank, que também ressalta os altos dividendos e pouca exposição às matérias primas.
A apreciação excessiva do real também tem pressionado alguns setores, como a siderurgia, industrial e os exportadores em geral. Contudo, isso aumenta as margens das empresas de consumo domésticas, como as varejistas, além de ajudar a diminuir as pressões ligadas às commodities.
Com isso, a alta de competição das multinacionais de mercados desenvolvidos, o aumento dos custos ligados ao mercado imobiliário, o aperto do mercado de trabalho e o ciclo de preço das matérias primas são motivos, conforme Searby e Schumacher, para que aja uma reversão nas margens das empresas brasileiras.