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SÃO PAULO – A nova metodologia para o cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recentemente adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) trouxe a possibilidade de o país obter de forma antecipada a desejada classificação investment grade. Isso porque, com os novos números, os indicadores de solvência do Brasil mostraram uma melhora significativa.
E a aposta de uma melhora do rating soberano ganhou força com a ida do ministro da Fazenda Guido Mantega aos EUA para se reunir com duas das principais agências internacionais de classificação de risco, Standard & Poor’s e Moody’s, com o intuito de obter uma elevação da nota atribuída ao país.
Mercado começa a precificar
Ainda que não haja certeza quanto a um melhor rating para o Brasil no curto prazo, o fato é que os mercados já começam a refletir a possível elevação da nota, como mostra a recente valorização dos ativos domésticos – forte alta da Bolsa, queda acentuada do dólar, recuo dos juros futuros e menor risco-Brasil.
Mas, de forma prática, o que muda para um país portador do selo investment grade – em linhas gerais, certificação de que uma nação conta com baixa probabilidade de inadimplência -?
Juros menores
Primeiramente, o sonhado grau de investimento traz o prognóstico de juros menores nas captações do Tesouro Nacional. Com a menor probabilidade de o país não honrar seus compromissos financeiros, o investidor passa a exigir remunerações menores nos títulos públicos. A idéia é simples: o aplicador só aceita papéis de maior risco caso receba um retorno mais elevado, portanto, com um risco menor, a rentabilidade dos títulos também é inferior.
De forma mais ampla, um rating melhor tende a significar taxas de juros mais baixas dentro do país. Em linhas gerais, a taxa de juro de equilíbrio de uma nação, ou seja, aquela que deve vigorar no longo prazo, deve ser igual, para uma mesma taxa de câmbio, a uma taxa livre de risco mais um prêmio de risco. Usualmente, o juro básico dos EUA é utilizado como referência de taxa livre de risco.
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E o investment grade pode representar uma diminuição do prêmio de risco de um país, permitindo, portanto, uma redução das taxas de juros de longo prazo.
Menor percepção de risco
Conforme já se antecipara, a elevação da nota do país melhoraria a percepção de risco em relação ao Brasil, criando um ambiente mais propício para um aumento das taxas de investimento – algo extremamente necessário para o país alavancar o crescimento econômico.
Mesmo o investimento público pode sofrer incremento. Como o governo estaria tendo menores despesas com juros, haveria um certo alívio fiscal, possibilitando uma maior destinação de recursos ao investimento.
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Aspecto institucional
Outra questão cujos efeitos sobre os mercados seriam bastante relevantes se refere a um aspecto institucional. Muitos dos grandes investidores institucionais internacionais, em especial alguns fundos de investimentos, não podem aplicar em mercados que não detenham a classificação investment grade.
Sendo assim, ainda que um destes grandes fundos internacionais julgue interessante investir no Brasil na atual circunstância, ele não poderia fazê-lo por uma questão institucional. Caso o país obtenha esta classificação, tais fundos passariam a poder aplicar em nosso mercado, abrindo espaço para uma valorização adicional dos ativos domésticos.
Expectativas racionais
Com tantos impactos positivos para a economia brasileira, seria de se imaginar, então, que quando as agências internacionais de classificação de risco anunciarem uma elevação do rating soberano brasileiro haverá um frenesi nos mercados, com Bolsa disparando, dólar caindo e juros futuros despencando, correto?
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Não exatamente. Algum impacto positivo é, sim, esperado, porém não seria algo exacerbado. Com a crescente exposição na mídia da possibilidade de o Brasil conseguir o almejado investment grade, os investidores começam, gradativamente, a incorporar nos preços dos ativos a expectativa da obtenção do grau de investimento.
Ou seja, à medida que haja uma maior especulação de que o país está próximo de obter um rating melhor, a tendência é de que os mercados comecem a reagir com maior vigor. Dito de outra forma, a Bolsa poderia subir ainda mais e o dólar manter sua tendência de queda, assim como os juros futuros.