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SÃO PAULO – Vivemos um conturbado cenário de múltiplas crises no Brasil. Com problemas na política, na economia, éticos e morais, o país ainda passa por grandes dificuldades de formação de novas lideranças capazes de ditar os rumos para o futuro. A percepção é do professor de política da Fundação Getulio Vargas Marco Antônio Teixeira, entrevistado do programa Na Real na TV desta semana.
“Vivemos um vazio de lideranças: quem vai nos conduzir por um caminho que resulte em um país melhor? Estamos um pouco distantes disso”, disse o pesquisador durante conversa com o jornalista José Marcio Mendonça e o colunista e advogado Francisco Petros. É nesse contexto que também se observa um movimento de fragmentação intenso da oposição na efervescência do jogo político.
Na medida em que mais se discute sobre impeachment, especula-se sobre os interesses escusos dos principais atores envolvidos na atual cena da política nacional. “Se o resultado disso for um processo de impeachment, seria o mundo dos sonhos de Aécio Neves. Ele tem um recall absolutamente favorável e hoje o PSDB não teria como abrir mão de uma candidatura de Aécio em eleições fora de época”, observou.
Assim, em meio às disputas pessoais internas da oposição pelo protagonismo, confundem-se os projetos de poder particulares com os destinos do país, na avaliação de Teixeira. O professor sugere que, em um momento conturbado e de carência de lideranças como o atual, os interesses recaiam para uma posição secundária e ganhe maior importância a solução para as dificuldades de hoje. “Quem pegar essa encrenca agora, sem resolver algumas questões, vai ter o problema para si talvez de maneira muito mais agudizada, porque a saída pode ser traumática”, argumentou.
Em outro espectro da crise política instaurada, Teixeira destaca o papel do Parlamento, que, em sua visão, estaria se furtando de seu papel propositivo. “Os dois principais condutores do Congresso – o presidente da Câmara [Eduardo Cunha] e o presidente do Senado [Renan Calheiros] – estão mais preocupados em se protegerem e, de alguma maneira, se fortalecerem para enfrentar um eventual processo dentro do STF. E, ao que parece, usam a casa para isso. O que, de certa forma provoca um divórcio maior com a sociedade”, criticou.
Para o professor de política, em caso de indiciamento de ambos, questionamentos sobre a legitimidade das decisões conduzidas no Congresso seriam muito válidos. “Falta muita responsabilidade para conduzir os destinos do país. Estão brincando. Projetos pessoais não podem ser confundidos com aquilo que é de interesse público. E há uma confusão generalizada neste processo. Está faltando espírito público que oriente a postura dos nossos políticos”, disse.
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Confira a entrevista na íntegra no vídeo abaixo: