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Brasil é o País mais atrativo para investir na AL, mas efeito no câmbio neste ano é incerto

Reforma da Previdência cria um cenário muito mais estável para investimentos do que os que existem em Argentina e México, porém, desidratação do texto aprovado na Câmara é um risco forte

Por  Ricardo Bomfim

SÃO PAULO – Dos maiores países da América Latina, ninguém está melhor posicionado que o Brasil para receber investimento dos estrangeiros, segundo uma série de economistas.

De acordo com a equipe formada por Marcos Assumpção, Jorge Gabrich, André Dibe, Lucas Tambellini e Guilherme Reif, do Itaú BBA, a abundante liquidez global, evidenciada pelas baixas taxas de juros praticadas pelos bancos centrais no mundo todo, soma-se a uma agenda econômica construtiva no Brasil para criar o melhor cenário possível para ativos de renda variável

“O Brasil irá aproveitar um período de taxas de juros excepcionalmente baixas (nossa equipe de macro estima que a Selic atingirá 5% no fim de 2019). Essa tendência deve ter um impacto muito positivo em ações”, avaliam os estrategistas do banco. 

Na mesma linha, o UBS elevou sua posição em Bolsa para “acima do neutro” de olho na baixa taxa de juros e seus efeitos sobre o custo da dívida das empresas. 

Ronaldo Patah, o estrategista que assina o relatório, afirma que os Ministérios da Economia e da Infraestrutura estão fortemente comprometidos em melhorar o ambiente de negócios do Brasil.

“O ambiente global desafiador, incluindo o aumento das tensões comerciais e dados de atividade mais lentos nos países desenvolvidos, acrescenta urgência a essa agenda”, diz. 

Essa também é a opinião de Patricia Krause, economista da Coface, que deu entrevista para o InfoMoney. Para ela, o cenário para o País é muito favorável em comparação aos seus pares como Argentina e México, que costumam competir pela atração de capital. 

A Argentina porque passa por uma eleição muito indefinida, uma vez que o candidato Alberto Fernández lidera as pesquisas com 42% das intenções de voto. Fernández, apesar de ser considerado mais moderado, assusta os investidores porque sua vice é ninguém menos que a ex-presidente Cristina Kirchner. 

O investidor estrangeiro não pode nem ouvir falar na volta do kirchnerismo sem se assustar e torce para que a chapa de Mauricio Macri e Miguel Ángel Pichetto, atualmente com 37% das intenções de voto, vire a disputa. 

Para piorar, os números econômicos do país não são nada animadores. O índice de inflação argentino subiu pouco mais de 2% em julho, dado considerado baixo em comparação com os indicadores recentes, mas continua em 55,8% no acumulado de 12 meses. Isso com uma taxa de juros de 60% ao ano. 

Já o México tem sido uma aposta arriscada porque o presidente do país, Andrés Manuel López Obrador, enfrenta a desconfiança do mercado.

Obrador anunciou que não abriria mais leilões de óleo e gás e todos os contratos firmados com empresas estrangeiras no governo anterior, de Peña Nieto, seriam revistos. 

Para o líder mexicano, a quebra do monopólio da Pemex na exploração de petróleo não ajudou o país a se tornar um produtor mais competitivo e, portanto, as medidas liberalizantes das gestões passadas poderiam ser revistas. 

Além da interferência, Obrador ainda causa temor aos investidores porque seu país, apesar da moeda forte, corre risco de entrar em recessão.

A economia encolheu no primeiro trimestre, e os números de abril a junho devem ser divulgados nesta semana.

É neste ambiente que o Brasil, entre os países da América Latina, ganha atratividade. “Quando a reforma da Previdência passar, pode haver valorização das ações brasileiras e apreciação do real, porque ainda tem muito capital estrangeiro para vir para o Brasil”, avalia Patricia. 

Para ela, o rali que levou o Ibovespa de 91 mil pontos para quase 106 mil pontos mostra que boa parte da melhora no ambiente econômico do País por conta da reforma já está precificada, porém ainda não é tudo. “Alguns dos investidores lá fora estão esperando passar no Senado porque não querem ‘pagar para ve’r”, diz a economia. 

Por outro lado, o economista da 4E, Bruno Lavieri, não acredita em uma enxurrada de capital externo mesmo com o efeito de comparação. “O Brasil não compete apenas com México e Argentina, e dependendo do perfil de risco do investidor ele pode aceitar aplicar dinheiro nos nossos vizinhos”, defende. 

Desidratação

Patricia Krause prevê que a reforma será aprovada em setembro com economia de pelo menos R$ 800 bilhões. Atualmente, as contas são de R$ 933,5 bilhões pelo texto que foi aprovado no plenário da Câmara em junho por 379 votos a 131.   

Se não houver imprevistos e esse quadro se confirmar, Patricia projeta que o dólar feche 2019 entre R$ 3,60 e R$ 3,75. 

Lavieri aponta que esse é cenário ideal para os investimentos, mas o nosso câmbio pode até sair prejudicado se as expectativas forem frustradas.

“O real pode se depreciar caso a tramitação no Senado fique mais difícil. Minha projeção de câmbio segue em R$ 4,00 com um cenário-base de reforma economizando R$ 600 bilhões.”

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