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SÃO PAULO – O cenário econômico dos emergentes não parece mais tão atraente para os investidores como era antes. Desde que a principal economia do grupo, a China, perdeu o apetite pelo consumo de commodities, o Brasil tem sido assunto de inúmeros artigos e discussões. Outra grande aposta latino-americana que começa a andar para trás desde inesperado anúncio de retração econômica é o México, que recuou 0,74% no segundo trimestre deste ano – a primeira queda em 4 anos.
Apesar de ambos os países estarem despertando o ceticismo do mercado nos últimos tempos, uma reportagem publicada na revista The Economist deste fim de semana mostra que Brasil e México são “dois tipos diferentes de peixes” e encontram-se em trajetórias de crescimento distintas. Enquanto as expectativas brasileiras despencam com poucas chances de serem atingidas por uma maré de otimismo, as projeções para o México são de aceleração com a iminente recuperação dos Estados Unidos.
“As projeções de analistas para o crescimento brasileiro para este e o próximo anos estão mergulhando. O governo mexicano reduziu sua projeção de crescimento de 3,1% para 1,8% em 2013, mas a economia é esperada para acelerar na segunda metade do ano se a recuperação0 norte-americana tome vulto”, aponta a revista inglesa.
Uma das principais evidências apontadas pelos jornalistas da Economist para o mau momento brasileiro é a forte desvalorização que o real teve em relação ao dólar entre a metade de 2011 – quando o valor da moeda norte-americana batia na casa de R$ 1,50 – e os dias de hoje, com a divisa mais cara, próxima de R$ 2,40. “Você só precisa olhar para a moeda brasileira para perceber que o receio sobre o Brasil persiste”, afirma a reportagem, que também destacou que a valorização do dólar pode lesar companhias com dívidas lastradas na divisa.
Na visão da Economist, o mercado de trabalho brasileiro também está precário. Para eles, o modelo de crescimento econômico adotado pelo País seria insustentável no longo prazo. Com a confiança em uma possível recuperação ruindo, as companhias devem começar a demitir funcionários.
Acima da linha do Equador, o presidente mexicano, assim como Dilma Rousseff, enfrenta dificuldades com o clamor das ruas. Lá, Enrique Peña Nieto enfrenta resistência popular às tentativas de permitir, pela primeira vez, investimentos privados na indústria petrolífera. “Ele deve argumentar que as reformas são a melhor maneira de se atrair investimentos e livrar o México da histórica dependência de exportações aos Estados Unidos”, completa a reportagem. Todavia, é essa dependência que pode ajudar a economia mexicana a não seguir os passos que a The Economist acredita que o Brasil deve tomar nos próximos anos.