Brasil é destaque entre emergentes; mas como não errar nesses mercados?

País está no foco das publicações internacionais, mas tantas apostas e projeções podem viesar a atuação do investidor

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SÃO PAULO – “De repente, todos estão falando do Brasil”. A afirmação abre uma notícia da revista Forbes divulgada logo após a escolha do País para sediar a Olimpíada de 2016, que se soma à capa da Economist da última semana, com a mesma visão otimista sobre o Brasil.

Mais do que a realização dos Jogos, o Brasil está no foco das publicações internacionais por outros motivos – um deles, a visão de que o País se recuperou da crise financeira mais rápido que os demais.

Mas nem tudo são flores. O conceituado blog norte-americano Motley Fool publicou um artigo de Tim Hanson, destacando os erros mais cometidos pelos investidores ao entrar em mercados emergentes.

Então, como analisar com parcimônia visões tão díspares sobre o País e sobre o movimento dos emergentes em geral?

Preços muito caros?

Um dos erros destacados por Hanson é que os investidores estariam pagando em excesso pelo crescimento. As ações estariam mais caras, refletindo em seu preço essa visão favorável com relação aos países.

“O crescimento pode ser perigoso”, afirma o autor, que cita uma pesquisa de Elroy Dimson, professor da London School of Business, que revela que mesmo para os países com altas taxas de crescimento, as ações dos mercados emergentes tiveram uma performance 6% inferior às dos países desenvolvidos.

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Por outro lado, em relatório especial divulgado no início do mês pelo Financial Times com o tema “Investindo no Brasil”, o jornal britânico afirmou que “da perspectiva dos mercados de capitais brasileiros, é como se a crise financeira nunca tivesse existido”. O FT destaca que tanto o Ibovespa como o real estão de volta aos níveis pré-crise.

Mas o jornal destaca que alguns analistas veem um cenário de bolha, afirmando que a taxação de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) à entrada de capitais estrangeiros na bolsa, criada pelo governo em outubro, viria para coibir essa possibilidade. A principal bolsa brasileira já é a quarta no mundo em termos de capitalização de mercado.”A BM&F Bovespa trabalhou duro nos últimos dois anos para atrair negócios de outros mercados”, afirma a matéria.

É preciso conhecer o mercado

O segundo erro listado pelo artigo de Hanson é a falta de conhecimento do mercado local, e o autor recomenda que o investidor se envolva localmente para obter sucesso nos mercados emergentes.

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Em vistas de não cometer esse erro, a Economist cita empresas locais com bases sólidas que ajudaram a economia brasileira a crescer, com destaque para as principais blue chips do País – Petrobras e Vale – além de Embraer, Gerdau e JBS. A matéria da Forbes foi além e recomendou a compra das ações de algumas dessas empresas, destacando as produtoras de commodities e empresas de serviço, que se beneficiam do crescimento da classe média do País.

Citando múltiplos atrativos, a Forbes destaca também as ações do setor financeiro do Brasil, além de gigantes como CSN e Petrobras, a maior empresa do País – o conhecimento desses dados é uma das formas de evitar o erro citado por Hanson, e se envolver no mercado brasileiro com mais chances de ganhos.