Brasil e China: o que um país precisa aprender com o outro para decolarem

Economista-chefe da Capital Economics aponta que consumo não deve ser mais o driver da economia brasileira; necessidade mais urgente do país é investimento

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SÃO PAULO – Embora ambos estejam enquadrados entre os países emergentes mais promissores, segundo conceito dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) criado por Jim O’Neil, Brasil e China enfrentam problemas opostos. No entanto, um país tem muito a ensinar – e aprender – com o outro, aponta o economista-chefe da Capital Economics em artigo publicado na CNBC. 

“Na essência, o Brasil precisa começar a parecer mais com a China, mostrando crescimento nos investimentos, enquanto a China precisa aprender com o Brasil a como sustentar os gastos do consumidor”, aponta Neil Shearing, que assina o relatório da consultoria.

O crescimento econômico de ambos os emergentes está em desaceleração, impactados pelos problemas da zona do euro e a lenta recuperação da economia dos Estados Unidos. Contudo, Shearing disse que as dificuldades que enfrentam Brasil e China estão amplamente enraizadas em características específicas de cada país.

Consumo não deve ser mais o motor
“Para o Brasil, a questão é que o gasto do consumidor, que foi durante anos o motor do crescimento econômico, não deve continuar contribuindo tanto para a expansão das taxas”, disse.

Segundo ele, o crédito não pode continuar sendo o driver do crescimento brasileiro. Bancos como a Caixa Econômica Federal têm emprestado maciçamente para o setor imobiliário, e já há indícios de uma bolha. “O que estamos vendo é o que crescimento do crédito está alcançando seu limite – e isso é insustentável”, reforça.

Esse cenário de baixa taxa de investimentos em relação ao consumo significou para a economia brasileira um problema de deficiência na oferta, comenta. 

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“As famílias brasileiras gastam aproximadamente 50% de suas rendas com dívidas – muito mais do que os lares norte-americanos gastavam antes da crise financeira. A dívida das famílias alcançou 14% da renda nos Estados Unidos em 2007, no pico do boom imobiliário.

Brasil: uma das menores taxas de investimentos da AL
Shearing cita que a potência da América Latina tem uma das menores taxas de investimento entre os países emergentes, com menos de 20% do PIB (Produto Interno Bruto). Em comparação, os investimentos na China somam praticamente 50% do PIB, e 35% na Índia.

Olhando para frente, o Brasil precisa realinhar o consumo e os investimentos. Mas, para isso, será preciso uma reforma estrutural, em especial na poupança doméstica, que vai se provar impopular, e pouco provável, pelo menos até as eleições do próximo ano, disse. 

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Em contraste, o excesso de investimentos continua sendo o problema na China, na opinião de Shearing. 

“A nova liderança chinesa fez um grande negócio ao avançar nas reformas econômicas necessárias para reorientar a economia para os gastos dos consumidores, a fim de trazer um crescimento forte e sustentável no médio prazo. Porém, isto é mais fácil falar do que fazer”, pondera. 

Segundo o economista-chefe, há uma luz vermelha para o cenário “bullish” (com viés de alta) sobre a recuperação das economias emergentes. Após esses países serem os responsáveis por três quartos do cresimento global nos últimos cinco anos, ele acredita que os BRICs vão mostrar uma desaceleração entre 2013 e 2014, que deve representar 0,5 ponto percentual do PIB global. 

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