Brasil dobra envios de óleo combustível ao Sudeste Asiático e alivia escassez

Envios atingem recorde de 1 milhão de toneladas em março, suprindo lacuna deixada pelo Oriente Médio e derrubando prêmios do combustível marítimo em Cingapura

Reuters

FOTO DE ARQUIVO: Navios petroleiros são fotografados atracados na Baía de Guanabara, no Estado do Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 2014. REUTERS/Pilar Olivares/ Foto de arquivo
FOTO DE ARQUIVO: Navios petroleiros são fotografados atracados na Baía de Guanabara, no Estado do Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 2014. REUTERS/Pilar Olivares/ Foto de arquivo

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CINGAPURA, 1 Abr (Reuters) – As importações de ⁠óleo combustível do Brasil pelo Sudeste Asiático aumentaram em março, ⁠segundo dados de transporte marítimo, aliviando as preocupações com uma escassez do fornecimento de ‌combustível marítimo neste mês, depois que o conflito dos EUA e Israel contra o Irã prejudicou os embarques do Oriente Médio.

As compras de óleo combustível brasileiro pelo Sudeste Asiático mais ‌do que dobraram no mês passado em relação a fevereiro, segundo dados das empresas de análise Kpler e Vortexa, principalmente com destino a Cingapura, principal centro de reabastecimento de navios do mundo, e à Malásia.

O volume atingiu um recorde histórico próximo a 1 milhão de toneladas (cerca de 205.000 barris por dia), com base nos dados da Kpler. Já a Vortexa aponta o volume como ⁠o ‌mais alto em um ano, próximo a 800.000 toneladas.

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O aumento da diferença de preço do óleo ⁠combustível entre o leste e o oeste está está direcionando mais cargas do produto da América do Sul para a Ásia, disseram operadores e analistas.

O swap VLSFO Leste-Oeste — a diferença de preço para a Ásia em relação à oferta dos Estados Unidos e da Europa — aumentou para um recorde de mais de US$160 por tonelada em 31 ​de março, mais de 170% acima do final de fevereiro, segundo dados da LSEG.

‘As condições favoráveis para a arbitragem do VLSFO Leste-Oeste, juntamente com o forte funcionamento das refinarias ​na Bacia do Atlântico, pode continuar direcionando óleo combustível para a Ásia’, disse Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa.

OFERTA ROBUSTA DO BRASIL LIMITA PRÊMIOS

As preocupações com um fornecimento mais restrito do óleo surgiram depois que o conflito entre os EUA e o Irã reduziu o tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Isso elevou os custos de reabastecimento de todos os combustíveis ‌marítimos, incluindo óleo combustível com teor muito baixo de enxofre (VLSFO), ​óleo combustível com alto teor de enxofre (HSFO) e gasóleo marítimo.

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O fluxo de óleo combustível brasileiro, que consiste principalmente em óleo combustível com muito baixo teor de enxofre usado em bunkering, limitou os prêmios spot para óleo combustível e ⁠combustível marítimo em Cingapura, centro de ​comércio de petróleo da ​Ásia.

Os prêmios spot para o VLSFO caíram para cerca de US$50 por tonelada na terça-feira, depois de atingirem um recorde ⁠de quase US$140 em 18 de março, em ​comparação com os prêmios de um dígito antes do início da guerra, segundo dados da LSEG.

No entanto, as importações de VLSFO da região em março permaneceram relativamente estáveis em relação ao mês anterior, apesar dos ​fortes fluxos do Brasil, disse Tang, da Vortexa.

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‘Os suprimentos da refinaria al-Zour, do Kuweit, caíram significativamente, já que o Estreito de Ormuz permanece fechado em sua ​maior parte, enquanto a unidade ⁠RFCC (craqueamento catalítico fluido residual) da Dangote está operando com capacidade total em março, reduzindo os fluxos diretos de baixo teor de ⁠enxofre para Cingapura’, disse Tang.

Embora os prêmios spot do combustível de bunker em Cingapura tenham voltado aos níveis anteriores à guerra devido ao aumento da oferta do Brasil e da Rússia, operadores disseram que a perspectiva de oferta continua apertada devido à escassez de petróleo bruto pesado que produz HSFO e estoques de mistura de gasóleo usados na fabricação de VLSFO.

(Reportagem de Jeslyn Lerh)

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