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SÃO PAULO – A Brascan iniciou a cobertura das ações da M. Dias Branco (MDIA3) com recomendação “outperform” (acima da média do mercado), prevendo para dezembro de 2010 um preço-alvo de R$ 46,60 – upside de 34% frente a cotação de fechamento da última sexta-feira (11).
Segundo análise da corretora, o setor alimentício é visto com bons olhos em tempos de crise devido à sua demanda previsível, o que favorece a companhia, que é líder nacional em vendas de massas e biscoitos com participação de mercado de 20,7% e 21,3%, respectivamente.
A grande parcela de atuação no âmbito interno contribui para uma maior diversidade de clientes, protegendo a empresa contra compradores com forte poder de barganha. Além disso, quase 70% de suas vendas são destinadas ao Nordeste, região que tem apresentado um crescimento acima da média no consumo destes dois segmentos.
Mesmo com uma posição consolidada no mercado brasileiro, os analistas da corretora acreditam que a empresa ainda tem espaço para crescer mais, visto que o Brasil ainda apresenta um baixo consumo per capita de biscoitos e massas, se comparado a outros países. Aliado a isso, sua fatia em algumas regiões do Sudeste ainda é muito pequena.
Verticalização e aquisições
O foco que a M. Dias Branco tem dado nos últimos anos à verticalização de suas operações também agrada os especialistas da Brascan. “A verticalização dá à empresa uma vantagem competitiva em termos de custos, além de permitir uma maior qualidade do produto, facilitando a realização de inovações”, afirma a corretora, destacando a sua produção de farinha e gorduras vegetais – seus dois principais insumos.
Além disso, a forte geração de caixa que a companhia tem apresentado ajudou a diminuir sua dívida líquida, o que pode abrir espaço para expansão de seus negócios por meio de novas aquisições – assim como fez com a Adria em 2003 e com a Vitarella em 2008.
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Preocupações
Apesar de ser a líder no mercado interno nos segmentos de biscoitos e massas, a M. Dias Branco enfrenta a concorrência de empresas de grande porte, como a Kraft Foods e a Nestlé, que podem acabar afetando sua rentabilidade ao exercerem pressões em seus preços.
Outro fator preocupante apontado pela Brascan está na sua dependência de algumas commodities agrícolas, como trigo e óleos vegetais. Segundo os analistas, essas duas matérias-primas estão sujeitas a forte volatilidade, já que o preço delas depende das condições do mercado internacional e da taxa de câmbio, além de outros fatores, como condições climáticas e ocorrência de pragas.