[Braduni] SELIC: como ela afeta o seu bolso

Mesmo que caia até o final do ano, juro permanecerá elevado; se você tem dívida, tente quitar ou negociar, senão adie consumo e invista

Publicidade

Recentemente, o Copom (Comitê de Política Monetária) esteve reunido e decidiu cortar a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, em 75 pontos base. Com isso, ela caiu para 15,75% ao ano.

Mas é natural que você pergunte: “no que isso me afeta?” Em primeiro lugar, é preciso entender que a taxa Selic serve como referência para todas as demais taxas da economia. Ou seja, ela serve de referência para definir o quanto você irá pagar no dinheiro que toma emprestado, ou quanto receberá pelas suas aplicações financeiras.

Dívidas mais baratas

Fica fácil entender, portanto, que a redução da Selic é bem-vinda para quem possui dívidas. Mas, é preciso lembrar que a Selic não é a única variável que afeta o custo dos empréstimos. Existem vários fatores que influenciam o custo de um empréstimo.

O risco de você não pagar suas prestações em dia, por exemplo, que também é conhecido como risco de inadimplência, é um fator importante na definição do custo do seu empréstimo. Na prática isso significa que, ainda que bem-vinda, a queda da Selic sozinha não deve reduzir significativamente o custo dos empréstimos, pelo menos não no curto prazo.

Porém, o momento é propício para renegociar as suas dívidas. Se você acumulou várias delas, pode valer a pena, por exemplo, consolidá-las em uma nova dívida de juros mais baixos. Se as prestações estão pesadas demais no seu orçamento, pode valer a pena se informar sobre o alongamento do prazo da dívida. Como os juros estão em queda, você não corre riscos com isso.

Com juros altos, investir é melhor opção

Por mais que os juros estejam em queda, eles ainda são altos em comparação com aqueles registrados no mundo todo. Se você não tem dívidas, deve considerar a possibilidade de adiar consumo em favor de investimento. Você pode até achar que o seu orçamento é tão apertado que não é possível investir, mas com os juros altos, vale a pena adiar novas compras.

Continua depois da publicidade

E a razão para isso é simples: os juros pagos nas aplicações financeiras estão acima da inflação! Em termos práticos, isso significa que, se adiar o consumo por alguns meses, ao final do período conseguirá juntar o suficiente para a compra do bem, e ainda sobra uma reserva para começar o pé-de-meia.

Na ponta do lápis

Impossível? Nem tanto. Vamos imaginar a situação de um jovem que está pensando em comprar à vista um novo celular com câmera embutida cujo preço à vista é de R$ 900. Se, ao invés disso, ele poupar o dinheiro na poupança e adiar a compra para daqui a seis meses, ao final do período teria acumulado R$ 930.

Considerando que a inflação projetada para os próximos seis meses pelo IGP-M é de 1,8%, o mesmo aparelho estaria custando R$ 916. Ou seja, com a reserva acumulada, daria para comprar o celular e ainda economizar um “dinheirinho”. A diferença pode parecer pequena…mas, e se, além disso, essa pessoa economizar R$ 50 por mês, ao final do período teria R$ 1.234!