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(Reuters) – O Bradesco (BBDC3;BBDC4) está com uma qualidade muito boa da carteira de crédito e não enxerga aumento da inadimplência até o final do ano, afirmou nesta quinta-feira o presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, reforçando, contudo, que o apetite a risco continua moderado.
“O apetite a risco continua moderado, como falamos no final de 2024, mas obviamente estamos aproveitando oportunidades e crescendo em modalidades de crédito e clientes que consideramos que são bons”, afirmou em videoconferência com a imprensa após o banco divulgar balanço trimestral na noite da véspera.
A carteira de crédito expandida do banco alcançou R$ 1,034 trilhão no terceiro trimestre, aumento de 9,6% ano a ano, com destaque para os segmentos de micro, pequenas e médias empresas (+24,8%) e pessoas físicas (+13,8%), enquanto o de grandes empresas registrou queda (-3,5%).
Viva do lucro de grandes empresas

Bradesco tem balanço bom, mas mercado esperava mais – por que BBDC4 cai forte após 3T
Analistas veem resultado positivo, mas apontam que estagnação do ROE gerou alguma frustração em parte do mercado

Bradesco (BBDC4) tem lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bi no 3T, alta anual de 18,8%
O banco divulgou seus dados na noite desta quarta-feira
O custo do crédito subiu 20,1% ano a ano e 5,1% no trimestre, com o Bradesco citando reforço de provisão para casos específicos do atacado e Banco John Deere, que atua no agronegócio, conforme o balanço do banco divulgado na véspera.
Noronha acrescentou que o banco não vê risco de crédito para grandes empresas, destacando que os casos são pontuais, tampouco está preocupado com o crédito para o agronegócio, citando que pode ter um soluço um pouco maior no curto prazo no financiamento de equipamentos, mas que “não tira o sono”.
Ele afirmou que há uma camada da população com risco de crédito maior e por isso o banco tem operado em modalidades com garantias, assim como em alguns segmentos da pessoa jurídica, chamando a atenção para o nível elevado de juros no país.
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“Nós estamos falando de taxa de juros real acima de 10%… Com a Selic a 15%, pressiona alguns setores e empresas que têm uma margem Ebitda mais comprimida, que tinham até um endividamento adequado… Com essa taxa de juros começa a ficar difícil pagar o serviço da dívida, os encargos”, citou.
ROE, GUIDANCE
Noronha destacou que o Bradesco está aproximando cada vez mais o retorno sobre o patrimônio, que subiu a 14,7% no terceiro trimestre, do custo de capital, “seguindo a linha ‘step by step’ porque não para de investir na transformação, no que precisa fazer para aumentar a competitividade de curto e longo prazo”.
“Continuamos investindo, e vamos chegando lá”, acrescentou ao responder pergunta sobre quando o Bradesco voltaria a se aproximar de um ROE em torno de 20%. Ele explicou que essa evolução no ROE vem principalmente de aumento de receita, mas ressaltou que as despesas estão muito controladas.
O Bradesco reiterou na véspera suas previsões para o ano, que incluem expectativa de crescimento da carteira de crédito expandida de 4% a 8% e margem financeira líquida de R$37 bilhões a R$41 bilhões. Nesta quinta-feira, o presidente-executivo acrescentou que desempenho das métricas, em sua “grande maioria”, deve ficar no topo do guidance, sem citar qual.
Na bolsa paulista, as ações do Bradesco recuavam mais de 4% por volta de 10h30, capitaneando as perdas entre os bancos do Ibovespa, mesmo com o lucro de R$6,2 bilhões em linha com as previsões. De acordo com analistas do BTG Pactual, “as expectativas estavam provavelmente um pouco altas demais”.
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“Dado o atual cenário de Selic elevada e níveis baixos de inadimplência, os bancos brasileiros vêm apresentando rentabilidade muito forte em geral”, afirmou a equipe do BTG liderada por Eduardo Rosman, citando que o Bradesco tem feito ajustes corretos para elevar o ROE nos próximos trimestres.
Em relatório a clientes, porém, escreveram que permanecem “um pouco cautelosos” em relação às perspectivas de médio e longo prazo do Bradesco.
“O banco tem se concentrado cada vez mais em clientes de alta renda, afastando-se do segmento de baixa renda, no qual historicamente se destacava. No segmento de PMEs, o interesse tem se concentrado em empréstimos com garantia do governo, onde é difícil enxergar retornos acima da média de forma sustentável”, argumentaram.
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Ainda assim, Rosman e equipe afirmaram ver potencial de valorização para as ações do Bradesco nos próximos 6 a 12 meses.