Bradesco introduz target para Vale em 2011, avaliando precificação trimestral

Apesar de cenário otimista, valores é inferior ao estabelecido pela corretora para 2010, na expectativa de volumes menores

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SÃO PAULO – Avaliando o resultado do segundo trimestre da Vale (VALE3, VALE5) – o primeiro que mostrou o impacto do novo sistema de precificação do minério de ferro – o Bradesco revelou suas novas projeções para a mineradora. “Agora podemos ver como o sistema (de precificação) funciona detalhadamente, observando coisas que não tínhamos levado em consideração em nossos modelos anteriores, como descontos devido à umidade e para clientes brasileiros”, explica Raphael Biderman, analista da corretora.

Apesar desses descontos inesperados, a corretora não realizou grandes mudanças nas projeções para o preço do minério, já que os analistas já incorporavam um desconto “aleatório” de 15% nos números, na tentativa de evitar surpresas negativas.

Assim, o analista introduziu um preço-alvo de US$ 44 por ADR (American Depositary Receipt) da mineradora e de R$ 71 por ação preferencial, ambos para o final de 2011. Os valores são menores do que os atribuídos para o final deste ano em relatório anterior, especialmente devido a menores volumes de vendas decorrentes de uma recuperação mais lenta da demanda por metais. A recomendação segue outperform (expectativa de retorno acima do Ibovespa em pelo menos 10%).

Projeções
“Nossa tese para a Vale estava correta”, afirma Biderman. “Pensávamos que com o novo sistema, os preços do minério iam subir de maneira significativa, o que aconteceu; (…) prevíamos também que o Ebitda (geração operacional de caixa) da Vale ia ter uma forte variação positiva, e ele avançou 92,5% na base trimestral”.

Biderman espera que essa evolução no Ebitda da mineradora continue no terceiro trimestre, com a expectativa (da própria Vale) de que os preços do minério de ferro subam mais 35% no período. Mais conservador, o analista espera uma alta de 25% nos preços em relação ao trimestre anterior. “Os preços devem se estabilizar no quarto trimestre, em torno dos US$ 107 por tonelada – o que ainda é um patamar bastante elevado”, explica o analista.

Soma-se à alta do minério o final da greve da unidade canadense da mineradora, o que deve levar a Vale a postar um Ebitda de R$ 14 bilhões no quarto trimestre do ano. Para 2010, a expectativa é que a geração operacional de caixa atinja R$ 43,88 bilhões, com receita líquida de R$ 27,76 bilhões e lucro por ação em R$ 5,20.

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Para 2011, o Ebitda, receita líquida e lucro por ação da mineradora devem ficar em R$ 69,03 bilhões, R$ 37,85 bilhões e R$ 7,10, nessa ordem, segundo as expectativas do analista.

Riscos
O maior risco percebido pelo analista é uma desaceleração no crescimento chinês, maior consumidor do minério da Vale. “Apesar de reconhecermos que a demanda chinesa está desacelerando, não esperamos uma queda muito forte”, explica Biderman.