Bradesco enaltece números do terceiro trimestre e traça perspectivas às provisões

"Tivemos mais um trimestre de bons resultados", avalia executivo em teleconferência; baixa inadimplência deve ser sustentada

Publicidade

SÃO PAULO – Na teleconferência sobre os resultados divulgados pelo Bradesco (BBDC4) na última quarta-feira (28), os executivos do banco destacaram a performance do terceiro trimestre, período no qual a instituição listou avanço de 40,3% no lucro líquido em base anual, atingindo o montante recorde de R$ 2,518 bilhões.

“Estamos muito otimistas com relação ao futuro”, afirmou Domingos Figueiredo de Abreu, diretor de Relações com Investidores do banco na abertura da apresentação. “Tivemos mais um trimestre de bons resultados, impulsionados não só pela melhora dos índices de inadimplência, mas também pelo incremento das operações de crédito”.

Guidance
O executivo revelou as expectativas do banco em atingir o guidance de carteira de crédito estipulado para o ano de 2010. Cabe frisar que a carteira total de crédito alcançou R$ 255,61 bilhões ao final de setembro, alta de 18,6% em relação ao mesmo mês de 2009.

A expansão foi impulsionada, segundo Abreu, pelos desembolsos ao middle market, com crescimento de 27,6% em 12 meses, mais as modalidades de crédito destinadas às pessoas físicas, que registraram alta de 23% no período.

Fragilidade com grandes empresas
A exceção do mercado de crédito ficou por conta das grandes empresas, não registrando um bom desempenho entre os meses julho e setembro devido a variações cambiais e ao maior uso do mercado aberto. “O guidance pode não ser atingido neste segmento”, revelou o diretor.

Inadimplência
O executivo também enalteceu a contração observada pelo quarto trimestre consecutivo no índice inadimplência. O índice de atraso no pagamento superior a noventa dias passou de 5% em setembro de 2009 para 3,8% no mesmo mês de 2010. Vale ressaltar que o alto patamar do último ano foi fruto da crise financeira global.

Continua depois da publicidade

No entanto, o diretor afirmou que não espera que a inadimplência baixe tanto. A expectativa do banco é de que haja alguma melhora nos últimos meses deste ano, mas menos acentuada que nos períodos anteriores. 

Provisões
Questionado quanto a suas perspectivas para as perdas com provisões, Abreu afirmou-se “relativamente otimista”, revelando a crença de que as baixas previsões registradas no terceiro trimestre – relação de 35,3% entre provisões com devedores duvidosos sobre margem bruta – deverão ser sustentadas.

“Acredito que um patamar entre 37% e 38% é bom”, comenta, destacando o fato de o Bradesco ser capaz de conseguir elevar sua carteira de crédito simultaneamente à redução em suas provisões. No entanto, assume que “as provisões tendem a subir com a expansão da carteira”.  “Quando cresce mais o crédito às pequenas e médias empresas, o banco está incorporando um pouco mais de risco”, explicou. 

Continua depois da publicidade

Basileia
O banco fechou o terceiro trimestre com um Índice de Basileia de 15,7%, percentual acima dos 11% exigidos pelo Banco Central, fator que dá à companhia margem para ser ainda mais agressiva no crédito. Além disso, Domingo Abreu afirmou que o Bradesco “não terá dificuldades para adequar-se a Basileia III”, dado o nível de capitalização do banco.

Despesas
Questionado quanto ao aumento das despesas do banco, Domingos Abreu admitiu que os gastos vão superar a meta estabelecida no planejamento para 2010, que ia de 9% a 13% de expansão face ao último exercício. “Vai fechar o ano um pouco superior ao topo da meta”, afirmou.

Além disso, argumentou que o aumento nas despesas é fruto de uma grande contratação na rede para atender o middle market, dos dissídios do período e, por último, do crescimento orgânico do banco.