Bradesco (BBDC4): lucro recorrente sobe 80% no 4º tri, a R$ 2,88 bi, mas decepciona projeções

Resultado ficou bem abaixo da média da LSEG, que projetava lucro de R$ 4,57 bilhões

Felipe Moreira

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O Bradesco (BBDC4) registrou aumento de 80,4% no lucro líquido recorrente no quarto trimestre de 2023 (4T23) em relação a igual período do ano passado, saindo de R$ 1,595 bilhão para R$ 2,878 bilhões. O 4T22 foi marcado por uma provisão à toda a exposição que tinha à Americanas, que entrou em recuperação judicial em janeiro do ano passado. Apesar da alta do lucro, o resultado ficou bem abaixo da média da LSEG, que projetava lucro de R$ 4,57 bilhões e ficou 37,7% abaixo do registrado no terceiro trimestre do ano passado.

Já o lucro líquido contábil foi de R$ 1,703 bilhão no período, um crescimento de 18,5% frente aos R$ 1,437 bilhão de um ano antes.

No ano, o lucro líquido recorrente foi de R$ 16,3 bilhões, número 21,2% menor que o do ano de 2022, impactado pelas despesas com PDD (provisão para devedores duvidosos) e contração da margem financeira com clientes. Para conter riscos, o banco freou as concessões de crédito em linhas mais arriscadas, o que reduziu o crescimento das receitas.

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Estes efeitos se repetiram no quarto trimestre, em que o banco registrou ainda R$ 1,175 bilhão em efeitos não recorrentes. Destes, R$ 570 milhões foram destinados a uma provisão para a reestruturação, em especial na rede de agências. Trata-se de um primeiro passo do plano estratégico que o novo presidente, Marcelo Noronha, vai implementar no banco.

“Agora, o Bradesco começa a executar um novo plano de iniciativas, que não tem paralelo na história do banco”, afirmou Noronha, através de nota. Ele disse que o balanço divulgado hoje começa a mostrar melhorias, em especial na aceleração do crédito massificado, que é mais rentável. “Considerando a qualidade das novas safras, vemos espaço para continuar expandindo a originação”, disse o executivo.

No final de 2023, o banco tinha R$ 1,964 trilhão em ativos, crescimento de 7,3% no comparativo anual. O patrimônio líquido foi a R$ 161,182 bilhões, alta de 4,5% em um ano. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 6,9%, alta de 3 pontos porcentuais em um ano, mas uma queda de 4,4 p.p. em um trimestre.

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A carteira de crédito do Bradesco encerrou o trimestre em R$ 877,285 bilhões, baixa de 1,6% em um ano. Foi sustentada pelas operações para pessoas físicas, que subiram 1,2%, enquanto a carteira de pessoas jurídicas caiu 3,6%. A inadimplência era de 5,1%, pelo critério de atrasos acima de 90 dias, alta de 0,8 ponto percentual (p.p.) em um ano.

A margem do banco com clientes, que reflete o ganho em operações de crédito, teve baixa de 11,7% em um ano, para R$ 15,432 bilhões. Na tesouraria, o resultado do banco foi de R$ 696 milhões, o que reverteu a perda de R$ 803 milhões vista no mesmo intervalo de 2022.

A margem financeira total do Bradesco caiu 3,3% no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 16,128 bilhões. Em um trimestre, houve alta de 1,7%. As receitas do banco com serviços tiveram queda de 2,4% em um ano, para R$ 9,028 bilhões.

O balanço é o primeiro divulgado pelo banco sob a gestão de Marcelo Noronha, que assumiu a presidência em novembro do ano passado. Os números virão acompanhados de um novo plano estratégico. O Bradesco disse que está acelerando sua transformação, com a execução de um plano estratégico que parte de diagnóstico profundo e realista e tem ambições claras. A implementação desse plano se estenderá pelos próximos anos, mas o banco ressalta que serão colhidos frutos já em 2024, com os benefícios crescendo a partir de 2025.

Bradesco divulga projeções

O banco prevê um crescimento de 7% a 11% da carteira de crédito expandida em 2024, enquanto projeta PPD entre R$ 35 a R$ 39 bilhões.

Já para margem financeira total, o Bradesco espera um incremento de 3% a 7%.

As receita de prestação de serviços devem crescer entre 2% a 6%.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)