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SÃO PAULO – O setor de papel e celulose espera que o governo anuncie medidas de incentivo ao setor em meados de setembro, afirmou a presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Elizabeth de Carvalhaes.
O setor negocia com o governo federal a inclusão da celulose no Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), que prevê a devolução de impostos em até 3% da receita de exportação.
A indústria também pede a desoneração da folha de pagamento, como forma de fazer frente ao atual cenário global de crise econômica global que tem pressionado as receitas de exportação das produtoras brasileiras.
“Nós tivemos reuniões com o governo federal e estamos bastante entusiasmados, porque tivemos o aceno de que ambos os pleitos já receberam parecer técnico positivo pelas autoridades da Fazenda”, afirmou Elizabeth à Reuters.
Segundo ela, a indústria de papel e celulose deverá ser incluída no benefício que reduziu a contribuição patronal para a Previdência de 20% sobre a folha de pagamentos das empresas pela cobrança de um percentual de 1% a 2% sobre o faturamento bruto de companhias 15 setores.
“O sistema de desoneração da folha é via Medida Provisória. A gente espera que em meados de setembro, no mais tardar, o governo entre com uma nova MP no Congresso Nacional com outros setores. Recebemos todos os indicativos do governo federal de que estaremos incluídos nessa medida.”
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Elizabeth afirmou que a crise econômica tem feito o setor de papel e celulose adiar investimentos, e que medidas de incentivo do governo podem levar a uma retomada de planos de expansão do setor.
“Um ano atrás nós anunciávamos que o setor poderia investir US$ 20 bilhões em 8 anos. Mas hoje temos essa equação difícil de ser resolvida, de alta pressão de custo. A ação do poder público é fundamental para retomar investimentos.”
Cenário incerto
Para Elizabeth, o cenário para o segundo semestre deste ano também é incerto para o setor de papel e celulose, principalmente para as receitas de exportações.
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“A Europa continua desaquecida, os Estados Unidos estão melhores mas ainda têm índices muito altos de desemprego e a China tem movimento oscilante… O segundo semestre, em geral, é uma época do ano que tem aquecimento, mas nós temos até o momento perdas importantes de receita em comércio exterior. Recuperar isso no segundo semestre é um desafio.”
Segundo dados da Bracelpa, as receitas de exportações de celulose caíram 5,5% nos seis primeiros meses deste ano ante igual período de 2011 e as de papel recuaram 9,1%. A produção de celulose no primeiro semestre teve queda de 0,5%, enquanto a de papel subiu 0,6%.
“Nossa preocupação é fechar o ano recuperando as perdas de receita na exportação e conseguir fechar o ano no mesmo nível de produção de 2011. Por enquanto, a gente vem tecnicamente empatado, mas com perdas nas receitas”, disse ela.
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Empresas do setor de papel e celulose com ações negociadas na bolsa paulista divulgaram prejuízos líquidos no segundo trimestre. A Klabin teve perda de R$ 184 milhões, a Fibria apresentou prejuízo de R$ 524 milhões e a Suzano de R$ 264 milhões.
As empresas foram prejudicadas pela valorização do dólar frente ao real, que impactou de forma negativa suas dívidas, embora tenha favorecido a receita com exportação e o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos e depreciação).