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Bovespa acorda sem uma ação; Oi, ex-OGX e Petrobras são destaques

Entre os destaques, Petrobras prevê perdas de US$ 15 bilhões com suspensão de contratos e divisão da Gafisa entra na “lista suja” do Ministério do Trabalho

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – A semana termina com o noticiário corporativo bastante agitado, em dia de pregão reduzido na Bolsa por conta do jogo do Brasil na Copa do Mundo. A Bovespa encerrará sua negociação às 14h30 (horário de Brasília). 

Ainda assim, uma série de notícias corporativas movimentam o dia. Nesta manhã, a Bolsa amanhece com uma ação a menos. Os papéis da Anhanguera (AEDU3) se despediram ontem da Bovespa após aprovação pelos acionistas do acordo para a fusão com a Kroton (KROT3). Pela proposta, os acionistas da Kroton receberão 65% da empresa resultante e os acionistas da Anhanguera os 33,5% restantes.

As empresas ainda informaram na véspera o pagamento de dividendos. As ações da Kroton já abrem o pregão desta sexta-feira (4) sendo negociadas “ex-proventos”. A companhia informou que vai pagar R$ 483 milhões em dividendos intermediários aos acionistas, que começarão a ser distribuídos a partir de 21 de julho até 30 de setembro, enquanto a Anhanguera pagará R$ 52 milhões em dividendos extraordinários, que serão entregues em 15 de julho.

Petrobras
A suspensão de contratos firmados entre a Petrobras (PETR3; PETR4) e a holandesa SBM Offshore – fornecedora de plataformas acusada de pagamento de propina a funcionários da estatal – reduziria em US$ 15 bilhões o lucro líquido da petrolífera entre 2014 e 2018.

O impacto financeiro foi calculado pela própria Petrobras e apresentado em resposta a um questionamento da Controladoria-Geral da União (CGU), de acordo com documento obtido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A CGU investiga denúncia de que a SBM pagou propina a empregado da estatal em troca de contratos. A acusação foi feita por um ex-funcionário da empresa holandesa.

Oi
Os controladores da Oi (OIBR4) estão pressionando a Portugal Telecom para encontrar uma solução para a crise gerada pela descoberta de um investimento de quase 900 milhões de euros feitos na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), empresa que passa por dificuldades financeiras. Os sócios brasileiros nem cogitam a hipótese de arcar com uma possível perda gerada pela transação e, segundo fontes, já decidiram que se o prejuízo ocorrer irão cobrar uma redução da fatia do grupo português na CorpCo, empresa que surgirá da fusão entre as duas operadoras. 

A reação negativa dos acionistas controladores da Oi levou a companhia a divulgar um comunicado em que informa ter pedido explicações à Portugal Telecom sobre o investimento. No documento, a operadora brasileira garante que irá defender seus interesses tomando “as medidas necessárias”. A Oi argumenta que não foi informada nem participou das decisões que levaram às aplicações na Rioforte e ressalta que ocorreram “anteriormente à subscrição e integralização do capital da Oi pela Portugal Telecom”.

Gafisa
A construtora Tenda, divisão de baixa renda da Gafisa (GFSA3), disse na noite de ontem que está apurando as razões que levaram à inclusão de uma filial e uma subsidiária na “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego, que registra empregadores flagrados explorando mão-de-obra análoga à escrava no País. 

Na última atualização do Cadastro de Empregadores, divulgada na quarta-feira, o MTE incluiu 91 nomes e excluiu outros 48, estes últimos por cumprimento a requisitos administrativos. Com isso, a lista passou a contar com 609 empregadores, entre pessoas físicas e jurídicas. A Tenda aparece duas vezes, por uma obra residencial em Juiz de Fora e por um canteiro de obras em Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais.

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Eletropaulo
A Eletropaulo (ELPL4), distribuidora de energia que atua na região da Grande São Paulo, 
considera que a proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o custo médio ponderado de capital (Wacc) para o quarto ciclo de revisão tarifária não reflete os riscos do setor de distribuição de energia. “Nossa visão preliminar é que não retrata o quadro de risco que a gente tem assistido nas distribuidoras de energia, no setor como um todo, e portanto a gente vai trabalhar para ter uma estrutura de wacc que seja compatível com o quadro do setor de distribuição”, disse o presidente-executivo da Eletropaulo, Britaldo Soares.

A Aneel propôs um wacc de 7,16% para o quarto ciclo de revisão tarifária das distribuidoras, valor menor que os 7,5% definido para o terceiro ciclo. Britaldo lembrou que as propostas apresentadas pela Aneel não são definitivas e estão sujeitas a discussão até 1 de setembro.

Copel 
O conselho de administração da Companhia Paranaense de Energia, Copel (CPLE6), aprovou na quinta-feira o encaminhamento à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de pedido de aplicação de reajuste médio para a Copel Distribuição de 24,86%, retroativamente a 24 de junho, e para que seja diferido o restante do porcentual remanescente a ser contemplado no processo de reajuste tarifário do próximo ano.
 

A decisão foi tomada atendendo manifestação do Estado do Paraná – acionista majoritário da empresa, com voto contrário dos conselheiros Marco Aurélio Rogeri Armelin e Natalino das Neves. “Ressalta-se que cabe à Aneel analisar e aprovar o reajuste e o diferimento propostos”, afirma a companhia em fato relevante. A Aneel aprovou no último dia 24 um reajuste médio de 35,05% nas tarifas da empresa, mas concedeu efeito suspensivo a recurso apresentado pela Copel contra o porcentual.

BRF
A BRF (BRFS3) informou ontem à noite a assinatura de oferta vinculante com os acionistas da Al Khan Foodstuff, sua atual distribuidora de produtos no Sultanato de Omã, para adquirir 40% de participação no capital social da AKF. Em comunicado, a empresa disse que a nova aquisição está em linha com o plano estratégico da BRF de internacionalizar a companhia, acessando mercados locais, fortalecendo as marcas, distribuição e expandindo seu portfólio de produtos no Oriente Médio.

Ex-OGX
A OGPar, antiga OGX Petróleo (OGXP3), informou na quinta-feira que iniciou a produção no terceiro poço do campo de Tubarão Martelo, localizado nos blocos BM-C -39 e BM-C-40, através do poço horizontal TBMT-2HP. Segundo comunicado, “o início da produção do quarto poço no referido campo se dará após a finalização da completação superior do mesmo”. A companhia ressaltou que a ampliação do projeto de Tubarão Martelo contribui para e viabilidade de sua recuperação financeira, bem como para o sucesso de sua reestruturação. 

Atualmente em recuperação judicial, a companhia viu o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) homologar em junho a aprovação do seu plano de recuperação judicial. A decisão foi tomada pelo juiz Gilberto Clovis Faria Mattos, da 4ª Vara Empresarial do TJRJ. O plano de recuperação havia sido aprovado em uma assembleia de credores em 3 de junho e a homologação do plano pela Justiça já era esperada pelo mercado.

BHG
A BHG (BHGR3) informou ontem que o Morgan Stanley atingiu, de forma agregada, 4.177.983 ações de emissão da companhia, equivalentes a 6,6% do total de papéis ordinários da companhia. Em carta enviada à empresa, o banco de investimentos declarou que a aquisição da participação acima mencionada não se trata de aquisição de controle da companhia, mas sim de investimento que não busca alterar a administração, composição do controle ou funcionamento da mesma. 

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(Com Reuters e Agência Estado)

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