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A bomba de tempo tóxica montada pelo boom de mineração de terras raras na China está pronta para aumentar as perspectivas de parte dos US$ 12 bilhões em projetos em desenvolvimento fora do maior fornecedor do mundo.
Como parte dos seus esforços de limpeza da poluição, a China, que controla 90 por cento do mercado global, está estudando a criação de novos impostos e regulamentações para terras raras no segundo semestre, o que segundo prognósticos impulsionará os preços.
As medidas aumentarão as pressões que estão relaxando o domínio da China na produção de terras raras, 17 elementos quimicamente similares usados em produtos como o iPod da Apple Inc., carros elétricos híbridos da Toyota Motor Corp. e os mísseis de cruzeiro Tomahawk fabricados pela Raytheon Co.
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“Preços mais altos poderiam incentivar o desenvolvimento de projetos de mineração de terras raras no exterior”, disse Chen Huan, analista de terras raras que trabalha com a Beijing Antaike Information Development Co., unidade de pesquisa da Associação da Indústria de Metais Não Ferrosos da China, apoiada pelo Estado, a qual prognostica que os preços possam subir mais de 20 por cento devido às novas regras assinaladas.
As mudanças propostas chegam depois que a Organização Mundial do Comércio determinou em março que o país asiático já tinha violado regras globais de comércio ao impor restrições sobre as exportações como cotas e taxas sobre terras raras. Os estoques globais de terras raras se tornaram escassos depois que a China, que consome cerca de 70 por cento da oferta global, reduziu as exportações desde 2010.
Produção ilegal
“Eles estão reprimindo a produção ilegal, têm preocupações ambientais e há países que precisam terras raras e que em particular não querem estar comprometidos com a China”, disse Kevin Schulz, vice-presidente da Northern Minerals Ltd., que está desenvolvendo o projeto de Browns Range na Austrália. “Há uma oportunidade”.
Pelo menos 18 empresas visarão começar a produzir fora da China até o final da década, com custos de desenvolvimento combinados de cerca de US$ 12 bilhões, segundo cálculos da Bloomberg com base em cifras da Euro Pacific.
Fechar minas não regulamentadas foi um objetivo crucial de uma campanha da China iniciada há quatro anos no intuito de restringir a produção de terras raras. Estes elementos podem criar gases residuais, incluindo o flúor, que é mortal, bem como águas residuais com metais pesados e cancerígenos, como o cádmio. Os problemas da indústria fazem parte de uma cruzada ecológica mais ampla empreendida pela China, conforme a qual em abril foram aprovadas as maiores mudanças das suas leis de proteção ambiental em 25 anos.
De fato, os primeiros a mudar-se para fora da China têm passado por dificuldades. Tanto a Lynas Corp., que investiu cerca de um milhão de dólares australianos (US$ 930 milhões) em uma planta de processamento de terras raras na Malásia, quanto a Molycorp Inc., com sede nos EUA, que possui uma mina no Deserto de Mojave, foram afetadas por preços baixos e demoras para alcançar metas de produção. Uma alta das exportações chinesas prejudicaria as perspectivas para os projetos planejados.
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Drenagem ácida
Os esforços para deter a produção que utiliza a drenagem ácida em minas do sul da China, processo que pode afetar terras agrárias, implicam que o país provavelmente ceda seu domínio no fornecimento de terras raras pesadas, disse Dudley Kingsnorth, diretor executivo da Industrial Minerals Company of Australia Pty.
A UCore Rare Metals Inc., a Namibia Rare Earths Inc. e a Hastings Rare Metals Ltd. são algumas das companhias que estão indo adiante com projetos fora da China com forte concentração de terras raras pesadas. As ações da Hastings subiram até 14 por cento para US$ 0,05 em Sydney antes de fechar a US$ 0,045, e a Alkane Resources Ltd. e a Northern Minerals fecharam com uma alta 9,4 por cento.
“Os chineses não querem que os preços caiam, pois eles sofrerão as maiores altas na estrutura de custos”, disse John Mair, diretor executivo da Greenland Minerals and Energy Ltd., que visa produzir terras raras, zinco e urânio na Groenlândia. “Vamos observar uma diversificação de minas globalmente”.