Bom para Vale, neutro para Gerdau, diz Morgan sobre possível compra de Porto Sudeste

A visão do Morgan Stanley é que o ativo é estratégico para a mineração, o que explica o interesse da Vale no terminal

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Um porto brasileiro controlado pela Trafigura Group e pela Mubadala Capital recebeu duas propostas de compra, uma de cerca de US$ 3 bilhões e outra de aproximadamente US$ 3,5 bilhões, segundo a Bloomberg, citando pessoas com conhecimento sobre o assunto.

A Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, formou um grupo com a produtora de minério de ferro Vale e a siderúrgica Gerdau para apresentar uma oferta pelo Porto Sudeste, afirmaram as fontes, que pediram anonimato por tratarem de negociações privadas. A I Squared Capital apresentou uma segunda proposta, segundo essas pessoas. Não ficou imediatamente claro qual dos grupos apresentou a oferta mais alta.

Um terceiro grupo, formado pela Stonepeak Partners e pela empresa de logística australiana M Resources, com sede em Brisbane, decidiu não avançar com uma proposta, disseram as fontes.

Um representante da Vale afirmou à Bloomberg que a companhia avalia oportunidades de investimento “à luz de suas prioridades estratégicas” e manterá o mercado informado sobre quaisquer “fatos relevantes decorrentes dessa análise ou relacionados aos seus negócios”. Os demais envolvidos no negócio não teceram comentários, segundo a Bloomberg.

O Porto Sudeste movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, ante 21,9 milhões de toneladas no ano anterior. O volume, porém, continua abaixo de sua capacidade de cerca de 50 milhões de toneladas, de acordo com suas demonstrações financeiras.

Bom para Vale, neutro para Gerdau

A visão do Morgan Stanley é que o ativo é estratégico para a mineração, o que explica o interesse da Vale no terminal. O porto permitiria que produtores menores de minério de ferro no Brasil tenham acesso ao mercado internacional.

O terminal é um importante centro logístico que oferece às mineradoras brasileiras acesso aos mercados internacionais, especialmente ao Sudeste Asiático. O porto possui capacidade ociosa para ampliar as exportações minerais e é conectado por ferrovia ao estado de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de minério de ferro do país.

Caso a participação da Gerdau seja confirmada, isso pode sinalizar a intenção da companhia de ampliar sua atuação no negócio de minério de ferro para terceiros, além das operações atuais.

“Essa possibilidade está alinhada com comentários feitos pela administração da empresa nas duas últimas reuniões anuais da Apimec”, afirmam os analistas do Morgan Stanley.

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Ainda assim, os analistas não acreditam que esse cenário hipotético contribuiria para uma reprecificação positiva das ações da Gerdau. Embora o investimento possa gerar mais EBITDA e oferecer retornos atrativos, empresas ligadas à mineração de minério de ferro costumam negociar a múltiplos inferiores aos de companhias siderúrgicas nas Américas.

A Trafigura e a Mubadala, braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi, adquiriram o controle do porto fluminense em 2014 da MMX Mineração e Metálicos, uma das empresas de mineração do ex-bilionário Eike Batista.

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Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.