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SÃO PAULO – Após a intensa corrida por venda de ações registrada no Japão na véspera, a Bolsa de Tóquio mostrou recuperação de parte das perdas nesta quarta-feira (16) e fechou em alta de 5,7%. Ainda assim, o sentimento de cautela continua presente, como mostra a tendência observada nos principais índices europeus, que operam com desvalorização, e o rumo que tomam os futuros norte-americanos, instáveis entre altas e baixas, ensaiando valorização.
A expectativa é que a crise nuclear no Japão continue a dominar o noticiário, embora a agenda econômica nos EUA, o rebaixamento da nota de crédito de Portugal e a situação no Bahrein, onde foi declarado estado de emergência, também devam disputar o foco do investidor.
Foco de volatilidade
Nesta manhã, foi descoberto por um empregado da usina de Fukushima Daiichi mais um incêndio, desta vez no reator de número quatro, conforme informado pela Tokyo Electric Power. No entanto, trinta minutos após a notificação, a empresa comunicou que a equipe de inspeção não encontrou nenhum sinal de fogo, mas que continuará monitorando a área. Com a queda do nível de radiação no local, os 50 técnicos que tentam evitar o derretimento dos reatores da central nuclear de Fukushima 1 voltaram ao trabalho.
Para Miriam Tavares, da AGK Corretora, os perigos da radiação nuclear no Japão prevalecem como o maior risco de curtíssimo prazo para os negócios e devem continuar trazendo volatilidade e cautela para os mercados financeiros globais.
Vale notar ainda que o BoJ (Bank of Japan) voltou a atuar no mercado financeiro para tentar garantir a liquidez no curto prazo e injetou mais ¥ 5 trilhões no mercado nesta quarta-feira. O UBS revisou as projeções de crescimento do país diante da catástrofe natural que devastou a ilha, passando de estimativa de expansão 1,5% para 1% em 2011. De acordo com Paul Donovan, economista da instituição, as interrupções na eletricidade na parte leste do Japão devem limitar o crescimento.
Estado de emergência
No Bahrain, o aumento da violência fez com que as autoridades do país decretassem estado de emergência. Os relatos na imprensa internacional indicam que os enfrentamentos acirraram-se nos vilarejos, e vale lembrar que a Arábia Saudita enviou militares ao país. A situação política na região do Oriente Médio levou o UBS a elevar a perspectiva de alta do petróleo em US$ 10 por barril, o que pode impactar negativamente o crescimento de países consumidores em 0,3%.
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Na Europa, é a crise fiscal que contribui para pressionar ainda mais o sentimento dos investidores. Portugal teve sua classificação de risco rebaixada pela agência Moody’s, em função de uma perspectiva econômica negativa. Na avaliação da agência, um possível aumento da taxa de juro promovido pelo BCE (Banco Central Europeu) representaria uma maior dificuldade para o país ibérico.
Donovan, do UBS, lembra que os mercados esperavam um resgate de Portugal pela União Europeia até o final desse mês, mas durante o final de semana nenhum anúncio forneceu indícios neste sentido.
Na agenda de indicadores, destaque para a inflação ao consumidor na Zona do Euro em fevereiro. Segundo os dados divulgados pela Eurostat, agência oficial de estatísticas da Comissão Europeia, no período citado, a inflação registrou taxa anual de 2,4%, 0,1 ponto percentual acima do mês anterior.
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Agenda em foco nos EUA
Nos Estados Unidos, dados relevantes são esperados para a sessão, com destaque para números do setor imobiliário, como início de construção de novas casas e permissões para construção, além dos preços ao produtor. Os investidores ainda devem digerir a decisão do Fomc (o Copom norte-americano) sobre política monetária anunciada na véspera, quanto a autoridade manteve a taxa básica de juros entre 0% e 0,25% ao ano.
De acordo com o Danske Bank, o tom utilizado no comunicado para abordar o mercado de trabalho foi mais positivo, enquanto a última parte do documento mostrou menos moderação. O progresso no cumprimento do mandato do Fed não está mais “decepcionantemente devagar” e a autoridade afirmou que irá prestar atenção de perto à inflação e expectativas para os preços, evidenciou o banco.
Assim, o Danske espera que a primeira elevação de juros venha em meados de 2012, com retirada de estímulos, como o programa de compra de títulos, já no segundo semestre deste ano.
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Inflação e atividade
Para Miriam Tavares, na ausência de picos de estresse e de eventos com potencial para surpreender investidores, é possível que aos poucos a tendência do mercado volte a se basear na agenda econômica. Para esta quarta, no Brasil, a diretora da AGK espera que o Ibovespa continue a guiar-se pelo movimento dos principais players globais, opina.
Por aqui, o Banco Central deverá divulgar o IBC-Br, que mede a atividade econômica no penúltimo mês. Ainda no País, foi divulgado que o IGP-10 (Índice Geral de Preços) registrou taxa de inflação de 0,84% em março. O resultado é 0,19 ponto percentual menor que o apurado no mês passado. Os dados foram divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e marcam a dinâmica dos preços no período de trinta dias até o último dia 10.
O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), por sua vez, apontou novo aumento da inflação na segunda semana de março, marcando variação de 0,64%, taxa 0,05 ponto percentual superior àquela vista na semana anterior.